Casa quase cheia em Alcochete para a 30.ª edição do concurso de ganadarias desta que é uma das mais importantes feiras do nosso panorama taurino.
Foi uma corrida cheia de interesse, com seis divisas a compor um arco-íris de tonalidades bem distintas ao longo de uma tarde que passou como instantes…
A ganadaria Condessa de Sobral abriu praça, com um toiro de 550kg, entre os mais bonitos da corrida. Bom de comportamento, não mostrou cansaço ao longo dos sete ferros que lhe cravou António Telles. De investida suave, este toiro permitiu uma lide templada e correcta em sentido ascendente. Sem que emprestasse muita emoção, terá sido também um dos mais cumpridores do lote.
O Núncio de 485kg, saiu com som e assim se manteve nos dois compridos correctos que Rui Fernandes desenhou. De seguida veio a menos, quedou-se reservado e deixou de se empregar, obrigando o cavaleiro a colocar adorno nos cites e remates e pisar-lhe os terrenos para não passar apenas a cumprir mas a deixar grande ambiente para a segunda metade.
O Pinto Barreiros, com 520kg foi o justo vencedor do troféu bravura. De excelente tipo, rematado e sério, este exemplar trouxe emoção, teve mobilidade e nobreza de início ao fim de uma lide muito bem conseguida de Francisco Palha. Recebendo o toiro em sorte de gaiola, cravou o segundo de praça a praça e partiu para os curtos com muito sítio, cravando os ferros ao piton contrário em desenho templado.
O Lupi, de 535kg mostrou-se um manso difícil e distraído, com investidas aos arreões que motivaram que resultasse em expoente máximo o grande maestro que é António Telles.
Inevitáveis toques na montada não suplantaram os bons ferros a dois tempos e ao estribo que ficaram na retina.
Com muita pata e grande impacto saiu o Conde Cabral, que marcou 495kg na balança. Com mobilidade e ‘salero’ q.b. o toiro permitiu a Rui Fernandes uma lide de artista, com bons apontamentos na brega a ladear aliadas a cites bonitos e bons ferros. Terminou com grande ambiente, apesar de terem caído um ferro em cada um dos pares a duas mãos que deixou por fim.
Por fim, surpreendeu o Grave de 540kg com trapio e apresentação, muitos furos acima da média. Pena foi que em comportamento não tenha acompanhado, já que, podendo pouco, cedo deixou de se empregar. Francisco Palha deixou porém, uma bonita e sonante sorte de gaiola e um bom segundo comprido. Nos curtos andou irregular até ao terceiro e assertivo e bastante ao agrado do público do quarto ao décimo, terminou a lide com o conclave entretido com o violino, seguido do par ensesgado, um bom par a duas mãos e outro violino.
As pegas foram levadas a cabo pelos Amadores de Alcochete que se encerravam em solitário com as seis divisas.
Bruno Pardal consumou ao primeiro intento sem dificuldade. Muito bem nos tempos da pega, o forcado não espera muito para carregar a sorte e fechar muito seguro à córnea com o grupo a ajudar coeso.
Fernando Quintela pegou correcto à barbela, consumando a pega com uma boa primeira ajuda e uma prestação eficaz do grupo.
José Barbosa (Vinagre) efectuou dois duros intentos, com o toiro a meter a cara alta e impedir uma reunião eficaz, fechou-se à terceira com o grupo mais carregado.
Nuno Santana não estava em “tarde sua” e por duas vezes viu frustrada a pega, faltando-lhe quiçá recuar mais com o toiro. Apesar de à terceira o toiro ter entrado só com um piton ficou com eficácia na córnea.
Rúben Duarte esteve enorme na cara do toiro, paciente a carregar a sorte e a recuar muito correctamente para reunir à córnea, com o toiro a entrar franco mas com muita pata entrando grupo adentro.
Por fim, também à primeira tentativa consumou Pedro Belmonte numa pega difícil em que o toiro empurrou o forcado para baixo e meteu a cara no chão. Grande eficácia do grupo a ajudar na pega difícil que encerrou a tarde
Uma importante referência resta fazer sobre esta corrida. A despedida de José Barbosa, ou Vinagre, como é conhecido. Um valiosíssimo forcado, para sempre ligado aos Amadores de Alcochete. Aquele forcado que perdeu uma vista em França na feria de Mont Marsan e que nem por isso deixou a jaqueta ou as importantes pegas que o marcarão sempre na história do grupo. Um forcado que o grupo aplaudiu e que fez levantar toda a bancada num aplauso tão prolongado quanto o arrepio que tocou a pele enquanto o vimos dar a volta em ombros. Sem dúvida, uma das despedidas mais bonitas e mais tocantes a que já assisti.
Desta bancada o brindamos com enorme e sentida admiração!
Sara Teles
