A feira de Maio da Moita do Ribatejo foi – com abençoada pelo bom tempo.
Dia de sol é meio caminho andado… Nada como «sol e moscas» para uma boa tarde de festa dos toiros.
Portanto, no domingo esteve sol, a praça não esteve às moscas mas antes com cerca de meia praça preenchida para a assistir a um cartel com: sete cabeças de cartaz, um só grupo de forcados (que nos habituou a estar nos primeiros lugares do escalafon mas que se viu pegar muito pouco no ano passado , pegava em casa a comemorar os quarenta anos de fundação) e um curro de toiros normalmente vocacionado para o toureio apeado mas que se revelou de todo o interesse para o toureio a cavalo.
Os toiros foram de Ascensão Vaz, díspares de peso e apresentação, tiveram como denominador comum a nobreza e a transmissão que um bom espectáculo aconselha.
O primeiro foi lidado por Joaquim Bastinhas. Era um manso encastado que se chegou a tábuas a meio da lide mas que vinha alegre aos cites e às reuniões. O cavaleiro meteu imediatamente o público no espectáculo com a sua abordagem alegre. Está claro que a lide terminou com os seus carimbos indispensáveis.
Rui Salvador esteve no seu plano lidador e que sempre transmite à bancada uma incomensurável entrega. O segundo toiro da ordem «enganava». Caiu uma, duas e três vezes e frenou algumas vezes no momento da reunião enquanto noutras se empregava ao estribo. Assim, ainda que com mão menos certeira, foi uma boa lide.
Sónia Matias lidou um dos melhores do lote. O toiro partia de toda a praça com codícia e fijeza. A cavaleira compôs uma lide ao agrado do público mas deixou tocar a montada em quase todos os ferros.
O quarto toiro da ordem foi outro de excepcional qualidade. À saída alegre correspondeu uma excelente «nota de abertura» de Marcos Bastinhas. O ginete dispensou os capotes para levar o toiro na brega das tábuas até o parar nos médios em sorte para o primeiro comprido. Redondeou uma lide com sortes ao piton contrário que lhe valeram também o reconhecimento da bancada, numa tarde que vinha bastante entretida.
E entretida continuou com a lide de Tiago Carreiras. O jovem sofreu uma enorme e impressionante queda já que o toiro não cedia a qualquer falha. Mas tanto o antes como o depois vinham em muito boa nota. A abordagem moderna, em terrenos cambiados mas de compromisso valeram que levasse o entusiasmo do público.
João Maria Branco lidou o pior toiro do curro de Ascensão Vaz. Mais reservado, o oponente andou sempre a chouto e menos comprometido que os anteriores. Ainda assim o jovem apresentou-se seguro e com sítio.
Mara Pimenta lidou o mais pequeno e menos imponente, que se deixou sem dificuldade. Lidou com correcção e pelo menos dois ferros de nota excelente.
O grupo de forcados Amadores do Aposento da Moita liderado agora por José Pedro Pires da Costa, teve uma passagem discreta pela temporada transacta. Nesta corrida, comemorativa do quadragésimo aniversário de fundação, a sua presença foi com certeza um dos motes para levar o público à praça.
Foi primeiro à cara Diogo Gomes que recuou bastante mas com algum desequilíbrio antes mesmo da reunião fazendo a viagem com um piton entre as pernas. Bem ajudado pelo grupo, concretizou ao primeiro intento.
Um dos antigos Luís Peças levou a efeito um dos momentos mais bonitos. Faltou-lhe ajuda à primeira mas à segunda repetiu com enorme donaire. Citou o toiro de largo e como o viu vir a empregar-se, esperou, consentiu e alegrou o toiro só com um único passo adiante, sem recuar, recebeu em perfeição a investida humilhada do oponente e compôs uma pega que levantou a praça.
À primeira tentativa pegou Francisco Baltazar, em boa pega com o toiro a bater e empurrar até tábuas.
José Pedro Pires da Costa consumou a pega ao primeiro intento com eficácia e uma excelente primeira ajuda.
José Henriques veio fechado à córnea aguentando a viagem «chata» do oponente a bater para o tirar.
João Rodrigues consumou à primeira em técnica exemplar, bem fechado de barbela com uma boa primeira ajuda.
Fechou a corrida Martim Afonso ao segundo intento, consumando a pega à barbela.
Sara Teles
