Aproveitando os ainda 125 anos, e mesmo antes de abrir a temporada por lá…
E tenho plena noção que me estou a atirar para fora de pé, falar do Campo Pequeno!!! Tanto tem de intimidador e arriscado, como de belo, digno e merecedor.
Cresci a viver a estética das corridas no Campo Pequeno, chega quase a ser sobrenatural, a imensidão quase galáctica que noites épicas nos proporcionam, carregadas de uma beleza transcendente, que nos fazem quase cruzar um oceano de emoções.
Uma praça, ninguém pode negar, reconhecida mundialmente, uns dirão “folclórica”, outros, menos ou mais séria, chega a turistas, ao povo e aos outros todos, os que pensam que podem olhar de cima, e os que sabem de onde olhar.
Divagações internas à parte, sempre tive um fraquinho por esta Catedral.
Espetáculos daqueles onde tudo se comove (porque foram ali para ver aquele artista, não só para passear o gin do social ou o modelito inspirado). E aproveitamos horrores, os reencontros, a magia, e diz que isto é o champanhe da vida! (pareceu-me mais gourmet, mas eu cá gosto mesmo é de copos de três).
Quando comecei a ir ao Campo Pequeno, há uns 30 anos (sim, comecei a ir muito nova), ainda estávamos a milhas de existirem sites, cronistas etc. Mas parece-me que as pessoas iam mais, participavam mais! O bom que foi ir á garraiada académica no Campo Pequeno … E agora Coimbra? Alguém me explica porque raio a quantidade de gente que gosta, e aficionada, não vota??? Muito bem, os que não gostam, mexem-se, e qual ditadura, querem terminar com tudo o que os incomoda. Nós, achamos melhor, como pessoas demasiado condescendentes e educadas, não ripostar e não dar importância. Em quase tudo na vida, serve este mote, com este tipo de gente, não! Não consigo entender esta apatia… Espero bem que os veteranos tenham mão nisto!
Voltando à última das praças de Lisboa, havia tantas, como a do Salitre, Campo de Santana (a qual esta veio dar lugar), etc. Nostalgias de fora, esta sim, enche-nos o olho, as medidas e o coração!
Inaugurada a 18 de Agosto de 1892, este Colosso projectado pelo arquitecto Dias da Silva, já prevendo que este fosse adaptado e explorado noutras vertentes. E quando se pensa numa estrutura desta dimensão, claramente, tem que se pensar em negócio, lucro, não só na beleza levitante do intuito principal da mesma. Aqui entra a reabilitação e variação da artes e espetáculos. Mas…. Nunca, nunca esquecer o propósito principal deste edifício Majestático! Não deixar que os mais novos sejam alvos de desaculturação total e com vergonha da toda uma tradição de peso. É muito in ir ao Campo Pequeno a um Festival do Vinho, mas não a uma corrida… Lá está, o pitoresco está na moda, mas a tradição, não a da moda, a verdadeira sem parvoíces, não… É quase como gostar de Sevilhanas e Flamenco e ser anti, há coisas que me escapam ao entendimento, quando as raízes são indissociáveis!
Alvo de requalificação (e que medo tínhamos disto, mas no final de contas, correu tão bem), reabrindo em 2006, melhor que nunca. Não há maneira de contornar toda a carga histórica, política e de toureio, que esta carrega. Eventos importantes, históricos, e figuras mundiais do toureio, não me parece que alguma tenha falhado numa quinta-feira mágica qualquer… Desde Manolete, Arruza, a Manuel dos Santos, passando por Conchita Cintrón, João Moura, etc. (o melhor mesmo é visitar o Museu), e nunca esquecendo a Mui Nobre Forcadagem, todos fazem parte da magia que é a história deste Monumento. As quintas-feiras Lisboetas têm outro cheiro quando abre a temporada, não há volta a dar a isto. Nem a meia dúzia de pseudo- animalistas a grunhir á porta, consegue apagar uma carga histórica tão respeitável e sublime, e chega de tempo de antena para estas criaturas.
Devíamos repetir como Mantras (coisa muito na moda, mas lá está, antiga o suficiente para ser tradição algures e perdurar no tempo)
Mantra (do sânscrito Man, mente e Tra, controle ou proteção, significando “instrumento para conduzir a mente”) (…) Alguns psicólogos ocidentais defendem que o mantra possui uma energia sonora que movimenta outras energias que envolvem quem o entoa, sempre e muitas vezes, até se tornar na verdade absoluta” (como as mentiras, diz que ditas muita vez se tornam verdade)…
Ah, e não tem Glúten!!!
Mantra do dia:
Todos ao Campo Pequeno,
todos ao Campo Pequeno,
todos ao Campo Pequeno,
todos ao Campo Pequeno …
(repetir várias vezes até ser verdade absoluta!)

