A feira da Moita não podia ter arrancado de melhor forma, com a excelente corrida mista composta por Rouxinol pai e filho, Sebastian Castella e Joaquim Ribeiro “Cuqui”. Os touros foram de Paulo Caetano, excepção feita a um Oliveira Irmãos que saiu a Rouxinol Júnior.
As pegas estiveram a cargo do grupo de forcados da casa e a corrida ficou ainda marcada pela alternativa de Francisco Marques como bandarilheiro e também pela despedida das arenas de Fábio Machado.
O público não emoldurou da melhor forma esta corrida. Mas quem não esteve presente na praça da Moita é que ficou a perder. Ambas faenas de Castella foram de arte.
No seu primeiro touro, não se encintrou tão a gosto e não deu a volta, que era merecida. No capote esteve elegante nas verónicas e com um temple extraordinário, que manteve ao longo do último tércio, com a flanela rubra. Embora tenha tido algumas dificuldades, nada nos mostrou que não fosse toreria templada e com mando.
No entanto, a verdade é que com o seu segundo touro é que brindou quem o viu com uma faena extraordinária. As chicuelinas marcaram os seus capotazos. Na muleta foi redondo, redondo e redondo. A forma como lhe baixou a cara, o mando que lhe pode dar, as distâncias bem tiradas, a proximidade com que se entregou foram de porta grande e ombros.
Dificilmente poderia ser suplantado, portanto Cuqui tinha uma sombra grande sobre si para poder brilhar nesta tarde da Moita. Ainda assim, esteve com um grande nível em ambos touros. Encontrando-se melhor no segundo. Ajeitou-se nos terrenos algum minutos depois de estar com a muleta e lidou bem pelos dois pitons, deixando boas ms. No capote, em ambas lides esteve forte.
Não podemos deixar de realçar o excelente tércio de bandarilhas que nos proporcionou Cláudio Miguel, para mim o bandarilheiro triunfador desta temporada, taco a taco com João Oliveira, que também brilhou nesta primeira da feira moitense.
A cavalo, Júnior teve mais sorte com o touro, um encastado, de muito trapio e algo bruto. Deu-lhe a volta às complicações subitamente e teve um ferro para o anais: Um palmito que cravou em penúltimo lugar, entre tábuas e em plena investida.
Já Luis Rouxinol teve um touro que cortava caminho e tinha muito sentido na trincheira, nos compridos despertou-o, mas nos curtos é que sobressaiu uma correcta cravagem difícil de se obter. Mesmo assim fechou com um par de bandarilhas como, actualmente, só ele domina colocar!
As pegas foram efectuadas por Fábio Silva, ao primeiro intento, fechando-se muito bem na cara, e por Luís Lourenço, à segunda tentativa num touro muito bruto.
Os curros vindos das Ganadarias de Palha, Oliveira Irmãos e Paulo Caetano foram, sem dúvida, interessantes e deram jogo tanto a cavalo como a pé.
Silvia del Quema
