Este ano comemora-se os 80.º Aniversário do Colete Encarnado. Fomos ao encontro do empresário que leva á vários anos a Praça de Toiros Palha Blanco, para nos falar um pouco como sente esta data tão especial.
Este ano o colete encarnado comemora 80 anos, uma data especial,que ilusão tem a empresa no cartel que montou?
A prioridade foi montar um cartel de categoria que honra-se Vila Franca e o seu Colete Encarnado numa data bonita e de comemoração A ilusão é total. Uma ilusão de sucesso artístico e de satisfação global.
A tauroleve é das poucas empresas em Portugal que ainda apoia o toureio a pé em Portugal, sente-se a remar contra a maré ou é uma aposta que um dia chegará a bom porto?
Sinceramente nunca considerámos que é remar contra. É simplesmente uma obrigação cultural pela história e a ligação entre Vila Franca e a arte do toureio a pé. Entendo que estamos só à beira de um click para o toureio a pé recuperar. Esse click passa por “simplesmente” aparecer um toureiro português que nos faça sonhar.
Pelo segundo ano consecutivo conseguem contratar uma figura de Espanha, “David Mora” para vir à Palha Blanco. Um esforço financeiro grande para a empresa. A aficíon vilafranquense irá responder enchendo as bancadas?
A Tauroleve entende que a presenca do David Mora é uma presenca que trás categoria a uma data especial porque o David regressa depois do êxito aqui do ano passado e depois de toda esta etapa desde então que o fez ser o triunfador de Franca em 2011 e sair em ombros em Madrid, já esta temporada. Economicamente é um esforco mas que nos satisfaz como aficionados. E mais do que empresários somos aficionados.
A Tauroleve desde que surgiu apostou no touro e nas ganadarias de postín, desta vez sairá à arena um imponente curro de Oliveira Irmãos. Fale-nos um pouco sobre esses touros e a dificuldade que tem tido em contratar cavaleiros para os curros que apresentam em praça.
Sobre dificuldades nas contratações dos toureiros prefiro não falar. Destaco os que estão presentes. Em relação à ganadaria selecionada, a nossa aposta vai a favor da coerência existente. Ganadarias que criem qualidade, toiros em tipo, morfologicamente perfeitos e que possuam trapío necessário para o entusiasmo do público.
Além da corrida, todos os anos se dá a garraida da Sardinha Assada que serve para dar promover os novos valores. Infelizmente e apesar das oportunidades que se dão todos os anos aos mais novos, tarda em aparecer um toureiro que chame a atenção dos aficionados e que leve gente as bancadas, como sente esta situação?
É um facto que existe de momento um deficit de aparecimento de uma nova geração impactante mas cabe-nos trabalhar e dar oportunidades de forma a que possa surgir esse alguém. A questão é que estão a aparecer miúdos com uma qualidade muito boa mas que já escolhem o que toureiam e isso penso que será uma limitação a breve prazo. Limitação de interesse e de entusiasmo.
Qual a estratégia para combater esta crise que se instalou no nosso país?
A estratégia é dar aos aficionados e público em geral o que eles querem ver! Temos de nos ajustar à praça e ao local bem como aos seus gostos. Querem entusiasmo então a aposta em primeiro lugar é nos toiros e ganadarias. Se querem algo diferente, como defendeu à poucos dias o Diego Ventura, então essa aposta passa por comprar toiros colaborantes para que assim se consiga o espectáculo preparado que não se consegue com o tal toiro que eu defendo. Mas isso lá está! É simplesmente uma questão de gosto que não retira mérito ao trabalho nem tão pouco retira nem belisca a qualidade no caso do Diego. Fico simplesmente a imaginar como seria aliar um toiro dos que criam entusiasmo à qualidade do Diego. E quem fala do Diego fala do Pablo. Seria decerto um espetáculo perfeito e com bancadas cheias, seguramente!
Sendo o Ricardo vilafranquense, certamente terá várias histórias que tenha passado pelo Colete Encarnado, conte-nos uma.
Sinceramente essa questão faz-me lembrar os meus 12/13 anos quando entre um grupo de amigos da mesma idade criámos uma noite da sardinha assada com fadistas incluídos. Outras historias já me levam a outras idades e metem muita bebida à mistura, e prefiro não as contar para não ser um mau exemplo.
