O colóquio promovido pelo projecto TEM, dirigido por Abel Matos Santos, dedicado ao tema “As Touradas: Factos e Realidades”, incluído no ciclo de conferências TEM, saldou-se num sucesso de audiência e num excelente repositório de informação fornecido pelos palestrantes. Facilmente deste encontro de cerca de três horas poderíamos criar um excelente ideário para doutrinar os taurinamente incultos.
O CDS cedeu as suas instalações em Lisboa para a realização do colóquio de casa cheia, mas o problema recorrente deste tipo de iniciativa é sempre a ausência de imprensa que não seja taurina para ouvir a argumentação que mais do que defender, explica a Festa Brava.
Presentes na mesa coloquial estiveram Helder Milheiro, da Protoiro, José Fernando Poitier, da Associação de Grupos de Forcados, o maestro Mário Coelho, o cavaleiro tauromáquico Manuel Telles Bastos, o veterinário e ganadero Joaquim Grave, Paulo Pereira, a representar a principal praça de touros portuguesa, o Campo Pequeno, e Elísio Summaville, como aficionado, apesar de a sua liderança do Centro Cultural de Belém ter sido mencionada.
Se estivéssemos numa corrida de touros, a porta grande ter-se-ia aberto para Helder Milheiro e Joaquim Grave, o primeiro com a informação prática dos números reais que estão envolvidos na Festa Brava (desde o espaço que um touro tem ao seu dispor enquanto é criado comparando ao que o restante gado bovino tem, passando pelos resultados de uma sondagem sobre a opinião dos portugueses relativamente à tauromaquia e que são completamente diferentes dos apresentados pelos anti-taurinos), e o segundo com a explanação lógica e fundamentada daquilo que é um animal.
Paulo Pereira traçou o percurso histórico que prova como realmente se justifica considerar cultura a tauromaquia, aspecto sublinhado depois por Elísio Summaville. Enquanto aqueles que vivem o espectáculo desde a arena, nomeadamente Mário Coelho, Manuel Telles Basto e José Fernando Poitier, salientaram aquilo que sentem e sabem sobre o touro.
Joaquim Grave é quem nos consegue – sempre – dar uma visão absolutamente clara sobre o posicionamento errado dos anti-taurinos, embuídos de argumentos falaciosos ou por ignorância ou por razões políticas. Sim, porque a política, é, no fundo, a grande razão para o ataque que a Festa Brava tem vindo a sofrer com cada vez maior intensidade.
Sílvia Del Quema
