“Esta é a Nossa Casa”, lia-se na tarja que deu volta à arena no final do festival do Dia da Tauromaquia, promovido pela PróToiro, no Campo Pequeno.
Mais dos que os triunfos de Nuno Casquinha e Francisco Palha, ou das excelentes actuações de Ana Batista e Juanito, ou das boas prestações de António Ribeiro Telles e Luís Rouxinol Júnior, este Dia da Tauromaquia de 2020 foi marcado pelo temor da mafia que ataca a tauromaquia.
A importante declaração de que o Campo Pequeno é a casa da tauromaquia, foi o marcar de um bastião que estaria prestes a cair. A casa cheia no festival taurino e durante as exibições que se iniciaram às 10 da manhã, a regular afluência de pessoas às actividades no exterior e lojas e exposições no interior da Primeira Praça do País, foram tudo indicadores de que a malha que tem vindo a ser apertada sobre o mundo taurino não pode ser bem sucedida em Lisboa.
O aumento do IVA nos bilhetes das corridas, os ataques à presença de crianças nas actividades tauromáquicas, as praças que no Norte têm sido fechadas, a ideia de que em Lisboa não há agenda taurina prevista… Tudo são actos dos agentes anti-taurinos que nos devem preocupar. E neste Dia da Tauromaquia, finalmente, pude ver essa preocupação gerar uma união.
Assim, num dia repleto de actividades de cariz taurino, o Festival foi apenas o culminar do Dia da Tauromaquia no Campo Pequeno.
António Ribeiro Telles, lidou com o aprumo que lhe conhecemos numa lide pouco vistosa mas muito correcta. Ana Batista, esteve exímia numa das melhores lides da tarde, também diante de um David Ribeiro Telles. Francisco Palha triunfou e Luís Rouxinol Júnior teve a ‘rolha’ dos curros, que a cavalo era de David Ribeiro Telles.
A pé toureou-se Calejo Pires, tendo Nuno Casquinha e João Silva, ‘Juanito’, sacado as grandes emoções da tarde aos tendidos. A meu ver destacando-se a excelente prestação de Nuno Casquinha.
Os grupos de forcados em praça foram os de Santarém e Lisboa, sendo as pegas protagonizadas por Salvador Ribeiro de Almeida, ao segundo intento, e António Queiroz e Melo, à primeira tentativa, para o grupo de Santarém. Por Lisboa, foram à cara António Galamba, que se fechou ao quarto intento e Tiago Silva que se fechou com o touro na primeira tentativa.
Durante a manhã, houve um conjunto de iniciativas que estiveram bem preenchidas de público e deram uma boa oportunidade para mostrar diferentes vertentes da tauromaquia, como o toureio de salão, o trabalho das escolas de toureio, com duas vacas a saírem para os jovens das escolas de Vila Franca de xira e Montijo. Houve ainda a importante presença do socialista e antigo deputado Manuel Alegre, que dissertou sobre os valores culturais da tauromaquia. Recortadores e equitação de trabalho, bem como o bonito espectáculo de Miguel da Fonseca. Tudo culminando no desfile com a declaração de que o Campo Pequeno é a nossa casa. E é. Assim como o Palácio de Belém é a casa da Presidência da República, apesar de haver casas para o Presidente da República por todo o País.
Mas esta declaração não pode perder-se aqui, deveria ser agora o nome de uma petição que circulasse por todas as praças onde se avizinham corridas, distribuída entre todas as tertúlias e escolas de toureio. Angariando assinaturas para que se garanta a preservação da Tauromaquia não só em Lisboa, mas em Portugal.
Os forcados e os campinos devem ser património cultural imaterial da humanidade – e regional – o quanto anos, e são candidaturas que devem ser pedidas aos Estado nessa petição. Os municípios taurinos de Portugal devem promover essas candidaturas, bem como as associações ligadas à tauromaquia. As escolas de toureio devem organizar-se numa federação que esteja representada na PróToiro, para garantir que, quem queira, pode ter acesso a aprender as bases do toureio a pé. Mas, sobretudo, é importante, começar uma linha de contra-propaganda que seja mais abrangente do que a actual, em termos de público-.alvo, que desmitifique o que a propaganda mafiosa dos anti-taurinos tem vindo a impor.
Sílvia Del Quema
