Vila Franca de Xira encerrou a sua feira de Outubro com chave de ouro, com, aliás, também foi aberta. Para a nocturna, o cartel contou com António Ribeiro Telles, Duarte Pinto e Francisco Palha, estando as pegas todas a cargo do grupo de Vila Franca. Mas se não fossem as ganadarias, até se podia dizer que era uma boa corrida, mas não espectacular.
E saber fechar cartéis é isto mesmo: o elemento chave, pode ser uma figura do toureio, pode ser uma competição de forcadagem, pode ser uma novidade ou, pode ser, como foi neste caso, a aposta na estrela da tauromaquia, ou seja, nos touros. As ganadarias em praça foram a Palha e a Canas Vigoroux.
A primeira parte da corrida contou com três touros Palha. Foi um espectáculo. Os cavaleiros viram-lhes o respeito necessário desde o primeiro momento que pisaram a arena. O primeiro de António Telles adiantava-se tanto que o apertou contra as tábuas, de forma séria, uma a duas vezes. Cortava a passada à montada como se já conhecesse o intuito do cavaleiro, que não deu volta.
Para Duarte Pinto saiu um touro idêntico, não se adiantava tanto e tinha uma investida mais óbvia para a cravagem, mas tinha tanta pata que a solução do jovem ginete para o seu oponente foi a mais inteligente: seis ou setes voltas a toda a brida nos compridos e foi assim que pode impor uma agradável lide.
Francisco Palha conseguiu um touro nesta primeira parte da corrida, também perigoso mas muito mais manso que os anteriores, este colorau deu luta ao jovem, mas também lhe deu toques no ambiente de emoção quase perigo deste espectáculo.
Foi com este touro que Francisco sacou um ferro curto entre tábuas memorável.
A primeira pega foi protagonizada pelo Cabo dos Forcados de Vila Franca de Xira, Ricardo Castelo, abrindo a encerrona desta noite com uma pega à primeira. Para o touro de Duarte Pinto, foi à cara Emanuel Matos, que pegou pela última vez e fê-lo à primeira tentativa. O touro de Palha revelou-se perdido de manso na pega, de Francisco Faria, que teve dificuldades em tirar investida ao touro, que se retraiu em absoluto nas tábuas. Ficou pegado ao segundo intento.
Após o intervalo, o espectáculo deixou de ser o perigo, fechado este, entrámos no espectáculo dos Canas. O cavaleiro da Torrinha teve um exemplar que foi aplaudido no regresso aos curros, que era um bonito exemplar, jabonero, e que serviu a uma grande lide de Ribeiro Telles, sempre a subir de tom, com uma elegante cravagem clássica, aquela que o caracteriza com a garra de quem queria vencer, e venceu.
Duarte Pinto, desta feita, teve menos sorte do que com o seu duro Palha, o touro era desinteressado, sem investida é, obviamente, pouco transmissor. Não houve erros na lide, houve falta de emoção. Por isso mesmo o cavaleiro não deu volta à praça.
Para Francisco Palha o Canas já foi outro, reconhecido deste que se abriu a porta dos sustos como um bom touro, o oponente deu oportunidade a Palha de mostrar aquilo que leva na sua alma toureira e foi isso que vimos: boa cravagem, cites nobres e remates pensados.
As pegas couberam, por ordem, a Vasco Pereira, que pegou ao quarto intento. Seguiu-se-lhe Rui Godinho que executou a pega à primeira. E fechou praça Marco Ventura, que consumou à segunda tentativa, depois de uma primeira tentativa gorada de David Moreira.
Silvia del Quema
