“Em Espanha há uma forte preocupação na preservação dos encastes que por razões sanitárias, de trapio e de educação do público têm sido menos lidadas” diz-nos o Dr. Vasco Lucas.
De facto existem aos dias de hoje, 14 encastes apontados em Espanha como em vias de extinção.
Esta situação é uma das situações que mais preocupa actualmente a União de Criadores de Toiros de Lide, já que o desaparecimento destas linhas põe em causa a diversidade genética da raça.
Entre os encastes em perigo não se encontram apenas divisas pouco anunciadas mas também linhas de ganadarias de prestígio, entre as quais a linha portuguesa de Fernando Palha, de origem Vazqueña.
Além deste encaste português, estão ainda na mira da União de Criadores de Toiros de Lide, a casta Cabrera no encaste Miura, a casta Gallardo no encaste de Partido Resina, Urcola, Saltillo, Santa Coloma (especialmente nas linhas Graciliano) Albacerrada, Contreras, Pedrajas, Hidalgo Barquero, Vega-Villar e Conde de la Corte.
Os motivos apontados para este condicionamento têm origem no século XIX com a chegada de Joselito, que determinou o início da selecção do “toiro moderno” de maior “toureabilidade”.
A situação piora se olharmos para a actualidade já que, segundo as estatísticas, dois em cada três toiros lidados em Espanha são de origem Domecq (ou, mais rigorosamente Ibarra – Parladé) e para Portugal, onde apesar do reduzido número de ganadarias deste encaste são preferidas as divisas de encaste Murube-Urquijo.
Para combater esta situação, o ganadero, jornalista e veterinário Rodriguez Montesinos aponta três caminhos: a criação de um banco de esperma, a criação de legislação específica para protecção sanitária dos encastes em perigo, e, a exigência da presença destes encastes em perigo nas praças de primeira categoria.
O Dr. Vasco Lucas, Secretário Técnico do Livro Genealógico Português refere-nos que entre nós as preocupações passam essencialmente por «preservar os quatro encastes que estabelecem a diferença comparativa em relação a outros».
Sublinha ainda o veterinário e ilustre comentador que «Em relação a Portugal é premente preservar a Casta Portuguesa, presente na mais antiga ganadaria portuguesa de Vaz Monteiro, bem como Irmãos Dias da linha Norberto Pedroso, e ainda a casta Vazqueña de Palha e encaste Santa Coloma de Vinhas»
Um apelo claro aos empresários, a quem cabe, em última instância manter estas ganadarias na linha da frente do seu leque de escolhas.
Texto de Sara Teles
