E tudo pode mudar num mês apenas… tanta epidemia ao ataque!
Uma delas, a neutralidade! É como a lógica ultrapassada “com um vestidinho preto, nunca me comprometo”… E contra mim falo, também os uso, super elegantes, mas por vezes é necessário vestir um rosa capote, ou um vermelho muleta! Salvo em ocasiões especiais, diz muito sobre uma pessoa, quase como um “não tenho nada a ver com isso”.
“Não me quero chatear” ou o “eles que se entendam” são a base estrutural da sociedade que vê o confronto de ideias como um ataque e que prefere ficar na situação impossível da paz podre. Horror!!!
Temos assistido a ataques nas redes sociais como nunca antes visto, ganham terreno, visibilidade, ocupam espaço que não lhes pertence! Aproveitam o embalo de notícias menos simpáticas sobre os nossos, sobre a nossa Catedral, e vão por aí fora cheios de força! E nós, claramente não damos conta do recado! O “não lhe vamos dar importância”, ou “nem merecem resposta”, já era meus caros!
Há uns tempos falava-se por aí “blindar a Tauromaquia, etc.”, e blindar a nós próprios? Protegermo-nos uns aos outros, sem olhar a quem? Não acham que é disto que precisamos agora? Não precisamos de morrer de amores por alguém, ou sequer saber a verdade toda das histórias, para perceber que só temos a ganhar se defendermos tudo e todos deste lado, o mesmo lado da barricada!
Por falar em Catedral, aconteceu o Dia da Tauromaquia, e que bom que foi, e se calhar devíamos ter feito mais barulho, não sei.. Parece que as pessoas se revelam in extremis. Já agora, obrigada Toy, por dar a cara sem medos! Os corajosos são poucos, os generosos ainda menos, mas naquele momento soube que não queria menos.
No que toca a dar a cara, que melhor exemplo que a Câmara Municipal de Montemor-o-Novo? Corajosamente atribuiu o nome do Grupo de Forcados da terra uma rua! Que orgulho!
É preciso coragem para ser bom amigo, porque amigo ou é bom ou não é amigo!
Sempre adorei pontos de vista diferentes, pessoas de todos os lados, mas nunca tive aquela cena comum de não sentir as dores dos outros ou ser indiferente aos que fazem mal.
Mal deliberado e egoísta e cobardolas, mal é mal. Não concebo que alguém trate mal ou não defenda um amigo.
Não consigo olhar para “aqueloutro” da mesma maneira: passa a desinteressar-me. Não havendo castigo divino, é o mínimo.
Mas a maioria “não se quer meter”, uma cena muito tuga, a neutralidade medricas! A grande maioria é fácil a julgar – nas costas (um inglês disse-me uma vez que a falta de frontalidade é o maior defeito dos portugueses) – ou a manter um silêncio quase bovino. Estar-se nas tintas então, não é nada.
Detesto tribunais públicos, e eles aí estão á vista de todos, normalmente são básicos e cruéis, verdadeiros saneamentos soam-me a espécie mal desenvolvida, mas faz-me confusão que tudo continue na mesma.
Já me lixei fortemente com a mania da frontalidade, mas só me arrependo das raras ocasiões em que me calei perante injustiças a terceiros. A irreversibilidade é do caraças.
E quando estávamos todos ansiosos por ver o que esta temporada guardava, a lufa-lufa de apresentação de cartéis, treinos de Forcados e primeiras corridas, eis que acontece o pior, o que ninguém controla e que muito nos afecta. E de Epidemia, passa A PANdemia, credo, mas nem na desgraça nos vemos livres deles?
Ainda aconteceu Olivenza, e cada vez com mais visitantes! Teimosias com 30 anos a vingar brilhantemente, de tão antiga que sou, ainda me lembro desta feira com pouquíssima gente e poucas condições!
Com isto tudo, quem está a esfregar as mãozinhas? Esses mesmos, que nem têm que mexer uma palha para ver tudo cancelado! Completamente (mais uma vez), a “Manipulação Social” a fazer tão bem o seu trabalho.. A fragilidade, egoísmo, histeria do ser humano em situações limite.
E infelizmente o campo não sobrevive a quarentenas. E toda a envolvente económica ligada ao toiro, cavalo, e por aí fora, tudo em causa!
Todos os animais precisam de cuidados diários, sim, estes mesmos animais que curiosamente os animalistas agora esqueceram, aqueles que tanto defendiam antes… Mas afinal, de que lado estão, dos animais ou do vírus?
Enfim, resta-nos aguardar e entretanto preservarmo-nos, e uns aos outros, voltamos ao mesmo, proteger os nossos!
Vamos esperar pela normalidade, porque nenhuma desgraça é eterna, o Sol brilhará de novo, brilha sempre… E que os danos sejam os menores possíveis a todos os níveis! É esperar que todos, juntos em afastamento, seguremos este barco resistente até a tempestade acalmar, e em casa mas não de braços cruzados!
Acredito que seremos melhores, depois de sermos um pouco parvos. Porque é assim que se aprende e se evolui.
Há muita coisa que – na nossa solidão caseira – se tornará muito clara, até inescapável. E voltaremos mais fortes e com mais ganas!
E o toureio voltará a fazer-nos vibrar de novo, a todos, sem Coronavirus, mas a pegar de caras e a dar muletazos á vida!
E lembrem-se, o que lhes falta em ética, nos sobra a nós em genética!
Ester Tereno
