Muito, mesmo muito calor que se viveu ao longo da tarde na Arena d’Évora.
Praça bem composta, além dos três quatros, e, muitos leques a sussurrar entre os dois anéis ao longo da bonita corrida de São Pedro, inserida na Feira de São João, tradicionalíssima daquela cidade.
Com um curro excelentemente apresentado da divisa Passanha, a tarde oscilou num comportamento em tipo da ganadaria mas ainda assim, heterogénio. Três toiros colaborantes, um sério e com sentido e outros dois de muito boa nota, foram o acervo para o acervo para as lides de duas gerações bem distintas.
A cargo das seis pegas estava destacado o grupo da terra, e, os Amadores de Évora saldaram a corrida positivamente. Certamente numa tarde para recordar.
João Moura abriu praça frente a um oponente cómodo, que deu bom jogo. Um segundo curto muito vistoso de um conjunto de boa execução, resumem uma bonita actuação do maestro.
Francisco Oliveira recebeu muito bem o toiro apesar da dura reunião, acabando, porém por sair lá atrás na primeira tentativa. Na segunda, pisou a jurisdição e esteve enorme a «sacar-se» e aguentar a investida intempestiva, reunião dura e viagem baixa.
Joaquim Bastinhas lidou também um colaborante exemplar, que permitiu ao ginete compôr a lide do seu agrado que contagia sempre a bancada. Fechou com um palmo mas não pôde sair sem deixar ainda um enorme par de bandarilhas passando pelo corredor.
Manuel Rovisco executou uma pega limpa e eficaz à babela, ao primeiro intento, com todo o grupo a corresponder.
António Telles lidou o mais complicado da tarde. Com mais sentido e mais «desconfiado» o oponente exigiu créditos ao cavaleiro da Torrinha, que o conseguiu ler nas entrelinhas selando uma bonita lide.
João Madeira concretizou uma pega vistosa com os cinco tempos fielmente executados, bem fechado de braços e pernas correspondeu ajuda eficaz para fechar à primeira tentativa.
Francisco Núncio comemorava o seu vigésimo aniversário de alternativa e teve uma tarde de muita inspiração. Pisando terrenos, meteu o público no bolso logo nos compridos para seguir com boas notas ao longo da função.
Ricardo Sousa só conseguiu concretizar a pega à quinta tentativa, já que o oponente pedia contas e imprimia fortes derrotes oblíquos.
João Maria Branco esteve especialmente inspirado e encontrou matéria-prima perfeita, com um dos melhores toiros da tarde. A brega, as sortes ao piton contrário e a arriscar foram um conjunto verdadeiramente inspirado e uma lide de triunfo.
Dinis Caeiro executou «o pegão» que levantou a praça. À entrada dura correspondeu uma viagem igualmente dura e a determinação do da cara saltou à vista! Deu a volta com o primeiro ajuda e exigiram-lhes a segunda chamada aos médios. Também João Maria Branco e Diogo Passanha deram volta ao ruedo. O público alentejano viria a impedir uma segunda volta do cavaleiro com um constrangedor assobio (isto sem prejuízo da importante lide que concretizou).
Jacobo Botero chegou, viu e venceu! Uma estrondosa porta gaiola, seguida de dois curtos de cortar a respiração. Um visível génio e um apurado sentido de lide de espectáculo fazem antever deste jovem um possível gigante.
Consumou à primeira a última pega da tarde o cabo António Alfacinha, numa execução de cátedra.
Sara Teles

