Na passada tarde de Domingo, Vila Franca decorou-se com o teu típico traje campino e com uma corrida mista, como exige o gosto do aficionado vila-franquense, já que o mesmo é muito orgulhoso do seu grupo de forcados e extremamente conhecedor de toureio apeado… Foi este exigente público que preencheu ¾ fortes da Palha Blanco, para a corrida das suas Festas do Colete Encarnado.
Maestria é o sinónimo mais adequado para descrever as lides de António Ribeiro Telles. Perante o primeiro exemplar, um bravo e encastado touro da ganadaria São Torcato com 485kg, vimos o cavaleiro, tourear principalmente com sortes frontais bem desenhadas.
Com o quarto da ordem (525kg) vimos um clássico a sabe ser irreverente; recebendo à porta gaiola e nos curtos com ligeiras marcações ao píton contrário, culminando esta sua segunda atuação em duas voltas.
Francisco Palha teve árdua tarefa, no primeiro do seu lote (490kg), já que o mesmo tinha investidas fortes mas tardias. Os últimos três curtos, foram de execução brilhante, com viagem frontal, de praça a praça, a aguentar-se na cara do touro até aos últimos segundos possíveis. Foi uma lide emocionante e a fazer vibrar o público.
Com o quinto da ordem, o resultado não foi o mesmo e Palha e não deu volta neste touro (480kg); ainda assim o cavaleiro lidou de forma muito respeitosa, já que sempre que um cavaleiro dá o seu máximo está a respeitar-se a si enquanto profissional e ao público que pagou para vê-lo. Palha realizou várias batidas ao píton contrário, metendo na atuação, a dinâmica que faltava ao touro.
As pegas foram todas realizadas pelo Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca com David Moreira e Pedro Silva a consumarem à 3ª tentativa, Rui Godinho á 1ª destacando-se também o rabejador Carlos Silva e a para a última pega da tarde, foi á cara Guilherme Dotti a consumar com uma excelente primeira ajuda de Diogo Grilo, na 3ª tentativa.
A emoção, a exigência e a dureza desta tarde, foram evidentes nas duas lides de António João Ferreira, que fez jus ao dizer taurino “para torear tienes que olvidar que tienes cuerpo”.
O São Torcato de 460kg lidado por António João Ferreira, apenas permitiu o matador luzir-se, de capote, primando por um vistoso tercio de capote, desenhando verónicas, meia verónica e revolera, para depois seguir com tafalleras rematadas novamente com revolera.
O tercio de muleta iniciou-o com uma série de estatuários de suspender a respiração. Pés quietos, onde nem a exigência do touro, ou mesmo quando este empurrou o matador, o fez recuar.
Na restante lide, a este áspero São Torcato, o público sentiu o perigo constante ao ver o matador expor o seu corpo para tourear por ambos os pitons do touro, em terrenos de muito compromisso e exigência técnica.
Para a segunda lide, (479kg) onde já obteve volta no final, Ferreira não teve touro para desenvolver o tercio de capote, mas na muleta, mandou no touro e conseguiu sacar boas séries por ambos os pitons. Foi uma lide construída, com brilhante atuação do matador, novamente, tendo como base a exposição contínua do matador ao perigo eminente que impunha o oponente.
Exigência, perigo e superação resumem a lide de António João Ferreira, mostrando que para tourear, esquece-se o corpo e usa-se a alma.
O tercio de bandarilhas, foi brilhantemente executado por Tiago dos Santos, João Ferreira e João Oliveira.
Corrida dirigida por Lara Gregório e assessorada pelo médico veterinário Dr.º Jorge Moreira da Silva.
Sónia Batista
