Casa cheia, ilustres aficionados nos tendidos, transmissão quase directa na RTP, audiência de grande nível como tem sido usual, cartel diversificado, curro de touros de primeiríssima qualidade que deu merecida volta ao ganadero, excelentes pegas, cortejo da corrida à portuguesa com coches magníficos e um neto a brilhar na arte de bem cavalgar. Não se podia pedir mais para o fecho da temporada do Campo Pequeno.
O cartel foi aberto por Rui Salvador, contando ainda com Rui Fernandes, Moura Caetano, Manuel Telles Bastos, Moura júnior, Rouxinol júnior; as pegas estiveram a cargo dos grupos de forcados de Évora e Vila Franca de Xira. Os bons toiros desta nocturna foram Passanha.
Rui Salvador teve um touro que se adiantava um pouco e tinha uma investida curta, a tender para a mansidão, o que levou a uma lide de pouco relevo, apesar de ter tido uma inteligente e boa cravagem. A pega deste touro foi efectivada à primeira tentativa por Gonçalo Pires, do grupo de Évora.
Rui Fernandes, no seu estilo vistoso, conquistou o público perante um bom Passanha, que deu jogo embora fosse decaíndo ao longo da lide. Bem na cravagem, eloquente na brega, cativou a praça. A pega foi para os forcados de Vila Franca de Xira, indo à cara Vasco Pereira que pegou à primeira.
Moura Caetano teve uma actuação importante, esteve com ganas e toreria do princípfio ao fim, brilhou na cravagem comprida, continuou a brilhar nos ferros curtos, subiu a fasquia para o resto da nocturna de seis cavaleiros. A lide foi linda e o seu brinde ao meu predilecto toureiro, Morante de la Puebla, também. Pegou, pela jaqueta eborense, o cabo João Pedro Oliveira, ao segundo intento.
Telles Bastos esteve bem numa feliz sorte gaiola ante um Passanha de muita pata, seguindo-se uma lide de gabarito, no tom clássico da Torrinha, que manteve o público entusiasmado com as boas reuniões e excelente cravagem. Vila Frnaca pegou ao primeiro intento, indo à cara Francisco Faria.
João Moura júnior teve um dos melhores touros de um bom curro e também uma das melhores lides da noite. Começou por pedir à quadrilha para não estar na saída do touro e aproveitou bem a energia criada com estar forma de receber o touro, cravando bem do princípio ao fim e rematando as sortes com alegria contagiante aos tendidos. Esta pega foi feita à primeira por Manuel Rovisco, de Évora.
Rouxinol tinha uma sombra de grandes lides a preceder a sua, mas esteve claramente ao nível e obteve o carinho do público com toda a propriedade, uma vez que cravou bem do princípio ao fim, destacando-se nos seus ferros de palmo a fechar com um violino, deixando a praça capaz de ver mais um touro apesar do adiantado da hora. Rui Godinho, por Vila Franca, pegou ao segundo intento.
O Campo Pequeno conseguiu deixar, para esta temporada, um ambientazo, o que é importante de sobremaneira para o tempo tauromáquico que vivemos. Olé!
Sílvia Del Quema
