Pedrito de Portugal e João Moura foram figuras de cartaz, respectivamente das primeira e última corridas do abano da Feira de São João em Badajoz. As suas prestações não abriram porta grande, mas foram dignas dos seus nomes. Em grande mesmo, estiveram Enrique Ponce que teve duas faenas de grande brio e com a estética que lhe conhecemos. Israel Lancho, que tanto desejava regressar a lidar na praça da sua terra e que agarrou a oportunidade com todas as ganas, dando-nos grandes momentos de toureio. Gines Marín fez jus aos triunfos que tem vindo a obter e não gorou expectativas. Surpresa, foi a evolução demonstrada por Guillermo de Mendonza, filho de Pablo, que está num momento taurina que, a meu ver, é de quem pode a qualquer altura tomar a alternativa.
A primeira corrida, dia 22, teve os tendidos quase vazios, sendo notório que os reaparecimentos naquela praça raiana que de Pedrito de Portugal, quer de Israel Lancho, não motivaram o suficiente a afición, sendo as lides desta tarde completadas com apuntes interessantes, mas nenhum destaque especial.
Pedrito com o seu primeiro touro de Lagunajanda encontrou um oponente muito complicado e não obteve resultados. Foi na sua segunda lide da tarde que mostrou aquilo que leva dentro logo desde o primeiro capotazo, estando muito esteta. Infelizmente o touro foi de mais a menos rapidamente e na muleta já pouco permitia.
Israel Lancho entrou em praça numa porta gayola e brindando os tendidos com quites de chicuelinas de grande nível. Lidou com o mesmo nível por ambos os pítons e cortou uma merecida orelha. Na segunda faena desta tarde quente de Junho, Lancho voltou a receber à porta gayola e depois disso foi na muleta que mais brilhou, tendo cortado outra oralha, abrindo assim a porta grande.

Posada de Maravillas, que veio substituir Luís David Adame, que se estava a recompor do percalce em Istres, não teve sorte com o seu primeiro touro, contudo, esteve muy torero, procurando dar-lhe a volta por cima com muito mérito, o que lhe deu uma ovação no final da faena. No seu segundo touro e último da tarde, voltou a destacar-se no capote e teve um série redonda na muleta de grande beleza. Tudo somado, cortou duas orelhas e também saíu em ombros.
No segundo dia de feira, a praça já se compôs melhor, com os tendidos a triplicar ou quadruplicar as entradas da véspera. Ponce é Ponce e foi Ponce em Badajoz. No seu primeiro esteve extraordinário no capote e na muleta sacou o que o touro de Zalduendo nem tinha para dar. Cortou uma orelha que deveriam ter sido duas. Na segunda lide da tarde voltou a triunfar, tendo o Director de Corrida mantido a parcimónia na atribuição de orelhas e concedeu apenas mais uma. O suficiente para abrir a porta grande…

António Ferrera não bandarilhou, o que o penalizou junto do público extremeño, o seu lote também não foi impecável, ambos com pouca força, sobretudo o primeiro. O segundo touro deu-lhe mais margem e teve uma actuação de capote muito elegante, mas menos vistosa do que aquilo a que nos habituámos. Estando na flanela rubra bem em ambos os momentos, segundo que no seu último touro cortou uma orelha.
Ginés Marín cortou duas orelhas na sua primeira lide da tarde, mas foram duas orelhas que, comparado com o que Ponce fizera anteriormente, deveriam ter sido uma… O seu último touro foi manso da corrida e nenhum troféu poderia ter saído dali, mas mesmo assim abriu a porta grande em ombros ao lado de Ponce, que no seu segundo touro, por comparação com as duas orelhas obtidas por Ginés na lide precedente, deveria ter tido também duas orelhas!
João Moura foi homenageado pelos seus 40 anos de alternativa na última corrida desta feira, também com a casa pouco ou nada cheia. Abriu cartel cheio de vontade de triunfar, investidas elegantes, calmas e ponderadas, ligando bem a montada ao touro, ladeando ao longo de toda a arena e cravando com exactidão e fechando com dois ferros de palmo de bom tom. Foi a matar que não correu bem, tendo dois descabellos que levaram a uma ovação. No seu segundo touro, voltou a entregar-se, com grandes imagens de toureio do antigamente e teve direito a volta.

Pablo Hermoso de Mendonza veio a praça com o sentimento de ter um génio do toureio como Moura no cartel, lidou bem, com boa cravagem e três ferros de palmo a fechar a lide, cravados à meia volta com muito rigor. Falhou a matar e por isso ficou com uma ovação. Na sua segunda lide, Pablo cortou duas orelhas após um extraordinário momento a bandarilhar, rematando a gosto e frisando o valor que lhe conhecemos.
Guillermo Hermoso de Mendonza tem a pesada sombra do pai, mas não me aprece que fique muito mais tempo sob a mesma. No seu primeiro novilho brilhou com reuniões precisas e cravagens regirosas, bem rematadas e mostrando-nos as Hermozinas criadas por seu pai. A fechar a lide cravou ferros de palmo com elegância e matou de uma estocada, cortando assim as duas orelhas que logo abrem a porta grande de Badajoz. No último da tarde, manteve o nível e fechou a actuação num bonito par de bandarilhas de palmo. Não cortou orelhas por ter tido de descabelar após duas estocadas.
Sílvia Del Quema
