A Festa Brava em Portugal está sob perseguição intensa e desleal, cheia de mentiras e golpes de publicidade, e a única coisa que os aficionados – que não estão a praticar nenhuma ilegalidade é unirem-se num apoio incondicional à Festa Brava.
E o Campo Pequeno é um símbolo máximo da nossa Festa. É-o por ser a praça da capital portuguesa, é-o por ser a praça mais representativa do toureio a cavalo e logo da arte única da forcagem, é-o porque os próprios anti-taurinos a elegeram como o bastião da sua revolta ditatorial, com as suas ridículas manifestações de uma trintena (no máximo) de mal-educados e ignorantes, que existem desde que a arena lisboeta reabriu em 2006. Por isso custa-me dizer que os aficionados condenam a Festa ao não comparecer à Feira Taurina do Campo Pequeno. E o que primeiro se destaca destes dois dias seguidos de corridas em Lisboa, foi a falta de público.
Os cartéis não estavam mal montados, apesar de o toureio a pé não encher praças no nosso País (por razões que bem ocnhecemos) e apesar de os mano-a-mano serem cartéis que pedem uma maior ligação de, pelo menos, um cavaleiro à região. Apesar ainda de uma Feira Taurina no Campo Pequeno ser importante para esta praça e para o próprio futuro da tauromaquia.
Contudo, nada disto significa que as pessoas tenham disponibilidade para estarem presentes.
Por um lado, tivemos um mês de Agosto repleto de corridas, por outro lado temos um mês de Setembro também com a agenda já cheia. As pessoas têm de fazer escolhas, e, por vezes, o estarem fora de Lisboa, o terem o seu artista preferido noutro local no mesmo dia ou dia seguinte, o já terem gasto muito em bilheteiras… tudo isto pesa na decisão de, apaixonadamente, defenderem a tauromaquia com a sua presença na praça onde decorre a batalha principal com os anti-taurinos.
Para homenagear os 40 anos de alternativa de Victor Mendes, foi organizada uma corrida de matadores, com touros de Nuñez de Tarifa e Voltalegre, para os diestros Finito de Cordoba – substituído por Roman, devido a uma lesão na mão, que, no dia seguinte estava curada e lhe permitiu cortar orelhas em Andújar -, José Garrido, Manuel Dias Gomes e Juanito.
Por mais que se goste de toureio a pé, em Portugal há sempre o senão de serem corridas incomplestas. Falta picar, falta matar… Mas houve tempos não longínquos em que um cartel a pé encheu o Campo Pequeno, o problema reside em quem é a cabeça de cartaz.
A nocturna apeada decorreu sem história, a primeira lide falhou por falta de transmissão quer de toureiro quer de touro. Garrido esteve por cima do touro, mas não escreveu história na arena da capital com a sua primeira lide. Manuel entregou-se sem ter correspondência com o primeiro hastado. Juanito está bem toureado e notou-se, apesar de a sua primeira lide não ter tido ajuda do oponente.
Na segunda parte já vimo mais toureio, mas pouco mais touro. Juanito saiu triunfante, mas Manuel ficou no seu encalce para esse aplauso do triunfo, na sua última lide teve pouco oponente, mas tudo o que ele tinha foi-lhe sacado na muleta de Dias Gomes. Juanito teve mais oponente e esteve à altura para o aproveitar, ligando-se muito bem aos tendidos.
No mano-a-mano faltou-nos a forte presença de espírito que Marcos Bastinhas costuma ter. E João Ribeiro Telles aproveitou esse vazio para sair em ombros.
Os touros de António Raúl Brito Paes não ajudaram, apesar de ter sido Marcos a ter menos sorte com o seu lote. Faltou pimenta, porém, as últimas lides de Marcos e de João foram ambas as melhores, fechando-se a de Marcos com dois bons pares de bandarilhas e a de João com a sequência de dois violinos e um ferro de palmo. Mostrando que ambos estiveram mais a gosto nestes touros.
Houve troféu Coparias para a melhor pega e em praça estiveram os grupos do Ribatejo, Amadores da Chamusca e Cascais. Foi premiado o grupo do Ribatejo com a última pega da noite, efectuada ao primeiro intento por Francisco Rocha.
Sílvia Del Quema Vinhas
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