A chuva não nos deixou ver nem Luís Rouxinol filho, nem Manuel Escribano, nem Manuel Dias Gomes. Uma carga de água que começou subitamente deixou o piso sem condições para as lides, pois escorregava imenso. Vimos Luís Rouxinol pai, Marcos Bastinhas e Victor Mendes. Porque é que não vimos, Rouxinol filho? Porque o seu touro lesionou-se na mão direita à saída dos curros, sendo cravado o primeiro ferro comprido no encontro da saída da porta dos sustos, e mais nada. Iria lidar o sobrero no fim da despedida do bandarilheiro David Antunes das arenas.
Joaquim Bastinhas parecia estar presente na Palha Blanco, todos se emocionaram desde as cortesias, com Marcos Bastinhas a ir às lágrimas, num luto carregado reflectido no traje e nos adornos dos cavalos. Quando cravou o par de bandarilhas que foi desde cedo a assinatura de seu pai, Marcos brindou ao céu. E não só o par foi muito bom, como a sua lide foi de excelência, começando pela sorte gaiola, até ao levar o touro à garupa ladeando em redor da praça, cravando correctamente e trazendo muita emoção na sua arte. A pega do seu Prudêncio foi feita por Guilherme à terceira.
Antes dele, Rouxinol pai, também fez o seu brinde por Bastinhas, além de chamar à arena também o seu bandarilheiro de confiança e de anos, David Antunes. Teve um oponente pouco cooperante, da divisa eng. Luís Rocha, mas uma belíssima lide, com compridos cravados com o nível que se impõe aos curtos. O palmito foi de mestre. O seu touro foi pegado por Nuno Gomes à primeira, do grupo de Vila Franca, que pegava em solitário.
Rouxinol filho ficou sem lide e Victor Mendes avançou para a que viria a ser a última lide da tarde. Um bonito jabonero de Falé Filipe que foi recebido por verónicas a sacar olés, fechou com meia verónica o quite e rematou com uma revolera envolvente. Escribano brilhou por chicuelinas e foi tudo o que podemos ver dele, uma vez que já não lidou por causa da chuvada.
Foi pena que um festival de chuva tivesse ficado sem condições para progredir e espero que Escribano regresse em breve ara tourear deste lado da fronteira.
Sílvia Del Quema
