É já sábado, à noite, pela fresca, em pleno Alentejo, que termina o confinamento taurino.
A corrida nocturna de Estremoz vai estar, de certeza, esgotada. Mal fora se não estivesse, pois muito mais do que o regresso à temporada tauromáquica, trata-se da batalha ganha contra quem tentou aproveitar o Covid19 para exterminar – um pouco mais – a Festa Brava. Temos de mostrar que somos muitos e estamos aqui a lutar e isso faz-se enchendo praças e, sobretudo, com a resistência à ditadura do gosto, resistência essa que só se exerce comparecendo!
Mas não podemos esquecer que as hostilidades permanecem abertas: qualquer falha nossa nesta corrida será imperdoável para ambos lados.
Para o nosso lado, porque pode significar a inviabilização das próximas corridas.
Para o lado deles, porque qualquer desrespeito às regras ou aspecto de que o estamos a fazer, servirá para nos classificar com o epíteto de irresponsáveis perigosos para a saúde pública.
Já repararam que nas manifestações não se encontrou registo de nem um caso de contaminação com a pandemia do século XXI, mas que cada vez que se fala numa festa de anos, há sempre casos de contaminação?
Não nos podemos esquecer que o queijo muda de mãos, mas a faca, quem a realmente tem são eles. Ou seja, quem pode indicar um foco de Covid19 originado numa corrida de touros?
Assim, aquilo que se impõe para o próximo dia 11 de julho, uma data histórica- quem consiga deveria guardar o cartel, pois mais tarde será uma peça de coleccionador – em que retomamos o legado cultural taurino do nosso País, mais do que só comparecer e participar, é fazê-lo ao rigor como estipulado pelas normativas de saude vigentes. O que implica mais do que cumprir os assentos atribuídos, há que não retiraras máscaras todo o espectáculo, há que não atirar nada para a arena, não se pode ter vontade de ir ao wc para não andar a circular… haverá tudo um conjunto de regras anunciadas que deverão ser cumpridas com extremismo da nossa parte, porque isso será vencer a batalha.
Não é apenas na realização desta corrida que está a vitória, estará sim no que dela advém: cumprimento de regras rigoroso e orações para que não surja nenhum caso que se associe ao evento. Depois disso é que poderemos estar certos de que o ‘covidamento’ taurino não será retomado.
Silvia Del Quema
