Termina hoje mais uma edição, da Feira Nacional do Cavalo, à qual muitos afectuosamente apelidam de Feira da Golegã. É certo que, a vila da Golegã e o cavalo vivem numa permanente simbiose, que atinge um tom de festa pela altura do S. Martinho, em Novembro de cada ano. E de facto, esta festa vive não apenas do S. Martinho mas de um conjunto de elementos que se enlaçam e sem os quais não se atingiria o fulgor que a caracteriza. O que seria da feira sem o frio, não faz parte do programa é certo, mas tem de estar presente de outra forma não faria sentido o desfile de samarras, capotes, mantas, cobertas, botas, botins e chapéus, o que seria da feira sem as castanhas, ao fim ao cabo é também uma homenagem ao S. Martinho e faz parte da festa encontra um vendedor em qualquer esquina onde um cartucho de castanha assada aconchega o estômago e conforta a alma, até o fumo dos assadores é convidado para a festa, pela névoa que espalha e envolve os recintos e as manchas de gente que neles circulam.
Que satisfação foi voltar a visitar a vila, o que para muitos significa voltar a casa de amigos e familiares, relembrar e repetir convívios que quase sempre se realizam à volta da mesa com iguarias da terra apetitosamente confeccionadas por quem sabe, sair à rua apeado ou a cavalo para visitar alguém ou simplesmente para se apresentar na mediática manga do Arneiro e de forma envaidecida assumir uma aparência marialva perante aqueles que se debruçam nos madeiros e ali ficam a contemplar os animais, as vestes e as caras conhecidas. Esta não deixa de ser uma feira de ostentação, onde se destacam os senhores e suas famílias representando autênticos clãs, coudelarias de prestigio, elites do desporto, e visitantes da alta roda. Ainda assim, tempos houve em que a Golegã acolheu mais dessas presenças. As coudelarias essas fizeram-se representar e bem, com exemplares de luxo autênticas estampas, no entanto a “nobreza”, o rigor dos trajes, o brio na apresentação das montadas, a classe na exibição dos andamentos, já foram mais abundantes, não quer isto dizer que não existissem, sim havia, mas com a altivez e o primor que este evento exige, poucos.
Escusado seria dizer, que o mundo do toiro esteve bem patente como é hábito, lá estavam eles toureiros, forcados, campinos, ganaderos, coudeleros, peões de brega, empresários, distribuídos pelas casetas em tertúlias animadas com as famílias e amigos, num registo bem mais descontraído do que aquele em que habitualmente os encontramos numa praça de toiros.
O movimento intenso que se fazia sentir, acalma para dar lugar à debandada de visitantes, comerciantes, desportistas e muitos profissionais do mundo do cavalo, agora a vila volta aos braços dos Goleganenses que rapidamente lhe lavarão a cara, até que de novo de comemore o S. Martinho.
GOLEGÃ, TUDO O QUE É BOM…
