E nada nos enche mais a alma, que voltar às corridas de toiros, esgotar praças, ainda que com máscara, ainda que com limitações, ainda que sem voltas al ruedo, ainda que com a aura inquisidora dos fiscais.. A vontade de mandar todas as regras da dita etiqueta pandémica às urtigas e abraçar todos os que são nossos de alguma forma.
Neste farol no nevoeiro que tem sido esta pandemia, uma bolha de oxigénio para nós, taurinos, podermos respirar e voltar a sorrir.
Mas a confusão é gigante, e a indignação maior ainda! Muito facilmente se ouvem conversetas de caserna, adeptos de futebol anti- taurinos, ofendidos por deixarem realizar corridas e jogos com público não!
E que dizer da confusão instalada na querida Ilha? 15 de agosto, corrida organizada pelo Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande (Praia da Vitória). Tiago Pamplona e João Pamplona e o matador Manuel Dias Gomes no cartel.
Parece que não foram cumpridas todas as normas, e valham-nos-os-deuses, a Direção Regional da Saúde suspende logo a realização de touradas no arquipélago. Posteriormente, e depois de uma reunião, segundo a comunicação social, parece que saíram boas notícias.
Mas há paciência para tanta confusão?
Já para não falar da corrida de dia 28, seria transmitida pela RTP em Monforte. Nem sei bem que confusão arranjaram entre empresa, associação de forcados, etc., na verdade, nem quero saber! Numa altura que somos atacados a torto e a direito, que vemos as pernas cortadas em todo o lado, cada vez menos transmissões televisivas, conseguimos estragar esta? E nem foi preciso a ajudinha da pandemia, foi minado de dentro!
Adorável, não acham?
Alguma coisa está muitoooo mal..
A festa do Avante, vai Avante! A insensatez iguala partidos, classes, raças, ideologias…
Tudo o que seja canis, animais mal tratados é uma escandaleira, idosos abandonados, brincar com a vida de quem já nos deu tanto, está tudo ok. Das ruas para as redes sociais, a desumanidade recrudesce.
A pandemia tem sido uma viagem, subtil mas extrema, a opostos da existência. Tipo filme manhoso sobre o Apocalipse, mas sem casting, porque leva todos à frente.
Há meses que (re)visitamos recantos emocionais, fomos obrigados a parar. Parar com tempo para reparar e ganhar uma perspetiva importante, ir à fragilidade e força do nosso osso.
Mas esta época de extremos e humores instáveis também trouxe à tona alguns debates sociais encalhados, não temos outro remédio senão viver em comunidade!
A pandemia não é uma vingança da Natureza, tem mais o que fazer! Mas se não aprendermos uma certa humildade pelo caminho, então é mesmo o apocalipse!
T.S.Eliot escreveu que “a humildade é a única sabedoria que uma pessoa pode esperar adquirir”. E não interessa como contornamos os obstáculos, desde que o façamos em estilo, isso sempre – a pandemia só parece estar a acelerar processos. Faz-nos mínimos para depois sermos máximos. (Sim, como ingénua-optimista, quero acreditar).
Valham-nos os corajosos que não têm tido medo, e nos têm brindado com corridas contra tudo e contra todos!
Vale (sempre) a pena ser do contra, porque amor é teimar.
Dizia Franklin Roosevelt: “A única coisa que devemos temer é o próprio medo!”
O medo é tipicamente um atalho emocional relevante para nos protegermos.
Mas o que acontece? As populações, aterrorizadas por chavões repetidos por uma media avassaladora, a maioria por puro interesse, submetem-se a ditaduras de condutas!
Desconsideram as piores consequências das medidas que tomam, a criminosa destruição da economia, neste caso a taurina!
Entretanto, vou só esperar que termine Agosto, a angústia, o aperto no peito por não ter as minhas festas… Pela primeira vez, em tantos tantos anos, de luta, de teimosia lá de casa, este ano não teremos touros de morte…
Fica a esperança de melhores dias, e já agora, rapaziada mais desatenta, a tauromaquia não é só o espectáculo, mas também arte, sonho, mistério, qualquer coisa de inatingível.
E não tem medo!
Ester tereno
