A propósito do mandato de detenção emitido por Madrid ao anti-taurino cujo nome nem sequer merece ser mencionado, pertencente a uma organização de “não sei quê”, e no seguimento da senda dos Milagres e a importância do apoio de figuras públicas, surge este texto.
Não querendo dar qualquer tipo de “tempo de antena” aos denominados “anti”, até porque se há coisa que desprezo são pessoas que atacam, e tenho-me na conta de ser bastante razoável nas opiniões alheias.
Uma coisa é não ser a favor, ou até ser contra, mas “anti” parece-me uma forma extrema e radical, e fundamentalismos nunca levam a lado nenhum, como temos visto.
Respeito toda a gente, de todas as áreas, desde que me sinta respeitada nas minhas convicções e na minha liberdade. Ora, a maioria dos anti-taurinos não se enquadra em nada que me mereça algum tipo de respeito.
Também não gosto de muita “actividade” que por aí existe e nem por isso destrato as pessoas, ataco, ameaço, ou sequer os acho intelectualmente inferiores por se identificarem com algo com o qual eu não concordo.
E não, não somos bárbaros pérfidos que tiram algum tipo de prazer mórbido ao assistir a um espectáculo de toiros… É tão mais que isso, mas isso, só nós, os aficionados é que sabemos, é um segredo nosso!
Sempre que me perguntam de onde sou, após resposta, uma boa parte fica com aquela cara de horror e diz: “ahhhhhh, a terra onde se matam os toiros.”
E não quero sequer mencionar as vezes que “aqui” estive, sendo de onde sou, pois tenho muitos anos de prática de ter de me defender de uma conotação negativa e de um gosto pessoal.
Assim, não poderia deixar de puxar a brasa à minha sardinha, falar da minha Terra e do que por lá aconteceu. Não vou entrar em grandes detalhes, até porque esses os deixo para que quem de direito, que esse sim muito lutou e que mais autoridade tem para falar sobre o assunto, se algum dia assim o entender, os narre devidamente (fica o recado Pai).
Nostalgias à parte, não posso deixar de mencionar factos, que são mesmo isto, factos.
Como alguns devem estar recordados, no ano de 1997 surgiu uma Providência Cautelar a pedido de uma Liga qualquer, mais uma vez dos “anti”, que proibia os toiros de morte em Barrancos. Seguiram-se anos duríssimos, até 2001, em que depois de muita luta, tribunais, mas também de muitas solidariedades, foi aprovada a excepção!
E quem lá esteve recorda-se do mar de gente que enchia aquela terra, do Hino Nacional entoado por milhares de vozes em uníssono, das emoções, do milagre que foi ver aquela arena, rectangular, já de si tão perigosa, apinhada de gente sem sítio para se proteger, e o toiro que não investia! Mais um milagre! (Sim, temos a Nossa Senhora da Conceição sempre a olhar por nós!)
Fomos ameaçados de todas as formas possíveis e imaginárias. Ameaças de bomba, ameaças pessoais, um sem fim de faltas de tudo, respeito, dignidade, tudo!
Nada aconteceu. Outro milagre!
Voltando à importância do apoio de figuras de renome à nossa Festa e que muito nos ajudou na altura mais crítica das nossas Festas, destaco apenas algumas de que me lembro: Nuno da Câmara Pereira, Miguel Sousa Tavares, Francisco Moita Flores, António Mega Ferreira, Maestro Victor Mendes, Luís Capucha, e tantas, tantas outras figuras..
Se o apoio destas figuras foi decisivo, conjuntamente com outras tomadas de posição, sim! E mais um Milagre aconteceu!
Quando os taurinos se unem, milagres acontecem!

