O dia foi feio e a corrida foi fria.
A chuva miudinha só começou a cair muito próximo da hora da corrida mas não há dúvida que a sua presença ameaçadora nas nuvéns cinzentas que pairaram ao longo do dia, demoveu muitos da acorrer à primeira corrida da feira taurina da Moita do Ribatejo.
Juan José Padilla e Pedrito de Portugal conseguiram reunir cerca de meia casa (fraca) munida de guarda-chuva.
Lidaram-se toiros da ganadaria de Falé Filipe. Em geral bem apresentados, variados de capa e variados também em comportamento (capítulo em que não deslumbraram).
Abriu praça Juan Jose Padilla com um exemplar que acusou mansidão às primeiras tandas. Apesar da espectacular recepção de joelhos em duas largas afaroladas e de um interessante e “perigoso” tércio de bandarilhas, o espada não conseguiu romper nem recriar-se na muleta frente ao primeiro de Falé Filipe, que acusou demasiado sentido. Acabou por colher aparatosamente o diestro quando este já preparava a última sorte.
O segundo do lote também falhou nas expectativas que davam a sua bonita apresentação. Foi um ‘revoltón’ sem profundidade, com algum recorrido mas sempre com a cara a meia altura. Padilla não abreviou a faena mas andou sempre a descompasso do oponente.
Foi no terceiro toiro que Padilla desfrutou, concretizou e ofereceu a mais bonita «pincelada» da tarde. Um série templada, em redondo, levando a investida humilhada em toda a profundidade geraram um sentido aplauso que foi unânime em toda a afición. E talvez por este tenha valido a pena toda a corrida. De resto o toiro era excepcionalmente nobre mas maxnso e desligado, tendo sempre fluído melhor pela mão esquerda do diestro que pela direita.
Pedrito de Portugal teve mais sorte no lote que lhe tocou em sorteio.
O primeiro era nobre e andou sempre de cara no chão. Porém a escassez de forças e falta de chispa somaram-se a alguma falta de criatividade do espada para sobressair.
O segundo oponente que lidou tinha recorrido e muito mais chama, embora lhe faltasse humilhar mais. Pedrito chegou ao público com uma lide «asseada» mas em que pouco arriscou.
Finalizou a corrida com um dos melhores toiros da tarde com uma lide em tom sóbrio e várias séries por ambos os pitons.
Em acréscimo cumpre referir a excelente prestação em quase todos os tércios de bandarilhas, quer os protagonizados por Padilla quer por Cláudio Miguel, Joaquim Oliveira e João Ferreira que se «arrimaram» e nos presentearam com excelentes execuções.
Por fim saiu Padilla em ombros pela porta grande depois de ter repetido duas voltas a arena no seu segundo e terceiro.
Também Pedrito de Portugal deu uma volta em ombros sob algum protesto do público mas viu negada a iniciativa da saída pela porta grande pela Sociedade Moitense de Tauromaquia, a quem cabe decidir pelo mérito dessa honraria.
Sara Teles

