A noite estava morna em Montijo.
Talvez mercê deste alegre calor de Verão, talvez por estarem as ruas engalanadas das tradicionais festas de São Pedro, talvez mercê desse conjunto com um cartel competitivo, o resultado foi um público animado e metido no espectáculo, desfrutando dos momentos de emoção que sobraram ao longo da noite.
Estavam anunciadas duas ganadarias, Lopes Branco e Cunhal Patrício, sendo que junto às bilheteiras se encontrava afixada a alteração daquela primeira ganadaria pela de Eng. Mário Vinhas.
João Moura Caetano abriu praça com dois sonantes compridos: o toiro de Cunhal Patrício a investir de largo, e, aquele pequeno passo ao lado para receber o oponente debaixo do braço. O público entrou imediatamente no espectáculo!
É verdade que o exemplar não se furtava aos médios mas tem que se dizer que lhe faltou classe para que se lhe desse melhor nota. Acudia aos ferros mas recebia-os defendendo-se, característica que se foi acentuando ao longo da lide. Sonantes ferros, construiram uma lide sonante, que, porém, terminou com um ferro de menor nota.
Na segunda parte lidou um exemplar da ganadarias Eng. Mário Vinhas. Apesar da saída alegre, a chama foi diminuindo no decorrer da função. Ainda assim, foi uma lide muitíssimo bem conseguida. O segundo (dos três compridos) fez explodir a bancada: dando prioridade à investida do oponente – de largo e recebendo por entre escassos milímetros. Nos curtos destacou-se também o segundo que deixou ao «quiebro», de um conjunto que resultou na melhor lide da noite.
João Moura Jr. cortado um orelha em Badajoz na tarde deste mesmo sábado, e, há-de ter feito um esforço grande para estar a horas na Monumental do Montijo. Tinha o público com ele, porém, por infortúnio, tocaram-lhe dois piores exemplares da noite.
O primeiro de Vinhas, colaborou até ao segundo curto. Depois pendeu para tábuas e encontrou querença na porta dos curros. O cavaleiro andou esforçado e fechou a lide com um ferro de mérito.
Na segunda parte o Cunhal Patrício foi pior. João Moura Jr. esculpiu a matéria-prima da melhor maneira. Frente a «um manso cego ao cavalo», sem volta possível, conseguiu com esforço e cátedra executar a ferragem da ordem. Injustamente (a nosso ver), o director de corrida Tiago Tavares, negou a volta ao cavaleiro.
Marcos Bastinhas começou por lidar o toiro de Vinhas, que saiu com pata e chispa a rematar nas tábuas. Três compridos sonantes e um arriscado primeiro curto, levantaram o público do empedrado. Depois deixou-se colher por duas vezes, e, a lide resultou irregular. A fechar a corrida, lidando o exemplar de Cunhal Patrício, foi tudo mais de feição. Repetiu o bom som dos compridos e nos curtos foi harmonioso, numa lide bonita e com boa nota.
As pegas estiveram a cargo dos Amadores do Montijo e dos Amadores de Alcochete.
Pelos anfitriões pegou primeiro Ricardo Figueiredo. Com uma investida com pata, o de Cunhal Patrício tirou o cabo numa impressionante voltareta. À segunda tentativa voltou a imprimir entrada duríssima, a que correspondeu uma excelente primeira ajuda.
Hélio Lopes perfilou-se para a pega de caras mas o oponente de Cunhal Patrício, completamente encostado da tábuas, inviabilizou qualquer tentativa. O cabo optou por mandar trocar para a cernelha. Hélio Lopes, entrou duas ou três vezes à cernelha com determinação mas as muito más intervenções do rabejador não lhe permitiram fechar a sorte como, de certo, gostaria.
João Damásio consumou a pega ao primeiro intento e acabaria por levar para casa o troféu em disputa – com garra, aguentou-se na investida a bater que o de Cunhal Patrício imprimiu.
Para os Amadores de Alcochete:
Fernando Quintela bateu as palmas a um Vinhas com cara fechada e curta. Esteve enorme o forcado a dobrar-se na investida dura e reunião à barbela. Numa das melhores pegas da noite.
Joaquim Quintela tentou por seis vezes executar a pega, saindo sempre violentamente desfeiteado pelo oponente de Vinhas, de córnea fechada. À sétima, João Machacaz consumou com eficácia.
António Cardoso, depois de aguentar uma barbaridade saiu com um violento derrote ao primeiro intento. E, valentíssimo, perfilou-se para uma dura segunda tentativa a que correspondeu bem o grupo na ajuda.
Sara Teles
Foto: Emilio de Jesus

