A tarde foi de muito (mesmo muito) frio em Sobral de Monte Agraço. A corrida estava marcada para as 18h e foi cedo que tarde fresca se tornou noite gélida. A meio da segunda parte, várias foram as pessoas que abandonaram as bancadas, já também na arena escassearam “fontes de calor” e argumentos para “aguentar” até ao fim. De facto, o curro bem apresentado do Eng. Jorge Carvalho saiu manso e de escasso interesse; não deu jogo aos cavaleiros e por melhor o esforço, raros foram os momentos que “chegaram ao público”.
Luís Rouxinol abriu praça com um oponente que apontou a querença nos curros (que se foi confirmando) ao primeiro comprido. O cavaleiro esteve irregular e algo a descompasso na primeira ferragem mas nos curtos deu a volta ao oponente entrando-lhe na jurisdição para executar sem brilho, já que aquele pouco se mexia e nada transmitia. Na segunda parte escutou música ao terceiro curto, mas voltou a ter por diante um exemplar muito pouco colaborante. Andou laborioso e elevou a fasquia com o palmo e par, este último de todo ao agrado da bancada sobralense.
Em segundo, Filipe Gonçalves lidou um exemplar que começou por seguir para tábuas logo que recebia os ferros mas a que foi sobrevindo a casta no decorrer da lide. O cavaleiro não perdeu a oportunidade de levar para casa mais um êxito (e ainda vinha com esse sabor bem patente da corrida da Nazaré exactamente no dia anterior). Sortes ao piton contrário, aproveitando as saídas encastadas do oponente para brilhar na brega, não se eximiu a terrenos de compromisso e encerrou bons momentos. Na segunda parte não teve toiro mas tudo fez para que isso não se notasse. O quatreño ganhou enquerença à porta dos curros e por mais que a contrariasse, não houve terrenos donde sacar-lhe investida. Cumpriu a ordem e fechou com um par que resultou com efeito, já que acabou por ser o único que o toiro rematou.
João Maria Branco foi o menos afortunado no sorteio e couberam-lhe os piores toiros da tarde/noite do Sobral. A primeira lide resultou desligada e demorada entre os ferros porque o ginete se esforçou para sacar o toiro de tábuas e colocá-lo em sorte sem ajuda dos subalternos e, para isso, nula colaboração do exemplar. Algumas passagens em falso e as sortes pouco luzidas não valeram o empenho do cavaleiro. Para fechar o espectáculo lidou o pior da divisa Eng. Jorge Carvalho. Manso perdido, encostou-se em tábuas e dali saiu raramente em arreões pouco empenhados. Foi ali e de sesgo que teve lide, e, desta feita, a entrega do jovem foi recompensada com o reconhecimento da bancada, que insistiu a pedir música (que não chegou a soar). Numa série de quatro curtos de sesgo fez a omelete sem ovos.
O capítulo das pegas foi protagonizado pelos Amadores de Vila Franca de Xira e da Chamusca.
Por antiguidade foram primeiros os de Vila Franca pelos quais abriu função João Matos. O toiro saiu a passo mas o forcado corrigiu e mandou para receber, fechar-se sem dificuldade e concretizar à primeira. Nas duas primeiras tentativas o toiro saiu intempestivo e a bater por alto desfeiteando Francisco Faria, então dobrado por António Faria, que recebeu eficazmente na reunião dura e consumou, assim, ao terceiro intento bem coadjuvado. Por fim Nuno Vassalo consumou à barbela sem dificuldade ao primeiro intento.
Dos Amadores da Chamusca, Mário Duarte bateu as palmas da tarde, entrou na jurisdição e cumpriu os tempos em boa técnica para consumar à primeira. Diogo Cruz não esteve tecnicamente perfeito a recuar e receber o toiro que deixou ensarilhar mas teve determinação e ajuda para concretizar à primeira. A fechar a corrida Igor Rabita viu o toiro acometer a defender-se (para o que contribuíram os inúmeros capotazos infrutíferos para o colocar em sorte) e meter a cara alta. À segunda consumou sem dificuldade uma boa pega.
Sara Teles
