A esta altura, todos estamos com falta de tanta coisa nas nossas vidas, mas a grande saudade que nos une, é a de Enborracharse de buen toreo.
É só falar com amigos que a conversa vai sempre parar ao mesmo, as saudades de uma boa corrida, do ambiente, das pessoas, de tudo!
E a confusão que é com as Comunidades em Espanha, há corrida, não há corrida, aforos de 50, 75%? Tudo depende da evolução dos malfadados números, já estamos fartinhos de ter a vida condicionada por eles há mais de um ano.
Podia agora lembrar a Lei de Murphy- “Qualquer coisa que possa ocorrer mal, ocorrerá mal, no pior momento possível”, mas vamos acreditar que dias melhores estão por vir!
Por falar em melhores dias, também a Democracia já os teve.
Ai, Democracia, se das coisas mais democráticas que pode existir é o que se passa numa praça de touros.
Se todos pensassem na manipulação dissimulada da liberdade que está subjacente num simples “proibir a tauromaquia”. A liberdade está ameaçada mais que nunca, e no fim de contas, os touros são o menos, numa sociedade que tem graves problemas com a tolerância e liberdade de expressão.
Quase que uma obsessão por suavizar o espetáculo em si, torná-lo sem sal, sem açúcar, tirando-lhe toda a autenticidade.
A tauromaquia desafia o dogma da homogeneidade social que confunde o direito à igualdade com a mediocridade. Esta cria heróis virais de actos absurdos como comer 20 hambúrgueres em 10 segundos, chegando até a considerar heroico ficar em casa durante a Pandemia. Por outro lado, o toureiro é um herói por vocação, carrega as cicatrizes no corpo, e é masculino, (salvo as excepções femininas desta área, claro), em oposição ao machismo, toda essa confusão que agora existe.
Quase como se de uma guerra de sexos se tratasse, em que as mulheres são as vítimas indefesas, que as há, infelizmente. Mas este novo feminismo que está a destruir a confiança dos homens e das mulheres, com a pressão do politicamente correcto.
É a mesma história das acusações por sermos irracionais ao gostarmos de touros, claro que sim! O arrebato artístico de quem se põe em frente a um touro é evidentemente irracional. Juntamente com o tema da morte sempre no ar, assunto completamente branqueado e esterilizado nos dias que correm.
A tauromaquia, como forma de arte e actividade económica, deveria estar acima de qualquer política! E tão esquecida e mal tratada que está por quem nos governa… é chocante o tratamento humilhante que este Governo deu às artes durante esta pandemia.
Para ajudar, assistimos quase que a uma implosão do mundo taurino com a sua passividade na hora de criar vínculos com a sociedade, só porque sempre pensámos que a festa iria ser eterna, sem ataques. Um “marasmo interno”, salvo raras e louváveis intervenientes da festa, a um silêncio ensurdecedor por parte da maioria, e isto que são os principais interessados? Não entendo…
Valha-nos França, são um símbolo de resistência, com um modelo vanguardista de protecção legal e defesa estruturada da festa para salvaguardar o seu património de possíveis ataques. E chegam até aos Municípios com tradições taurinas, o jeito que nos tinha dado termos aprendido um nadinha com eles agora na Póvoa de Varzim.
Percebem agora o peso da nossa cruz nas eleições autárquicas? Sejam de direita, de esquerda, o que importa é que defendam as terras!
Estamos num período de divisão na nossa sociedade. Não é só a tauromaquia que está a ser atacada, mas a ruralidade no seu conjunto e todos os estilos de vida (não esqueçamos a recente proibição à caça desportiva de aves).
Se calhar, devíamo-nos defender mais, como os touros se defendem a eles próprios, merecem isso da nossa parte!
A Tauromaquia é um sentimento, uma forma de vida, com valores herdados dos nossos antepassados, respeito, trabalho, sacrifício, superação! Parece-me uma grande dívida!
Gostava de perguntar a esses de ideias absolutas e autoritárias, quantas vezes estariam dispostos a pôr em risco as suas vidas? Se em vez de estarem sentadinhos na suas secretárias, cada dia que saíssem para trabalhar, pudessem morrer?
Quantos iriam, quantas vezes, quem iria? Se calhar assim, poderiam entender um pouco do que se passa.
Como diria Orson Welles: “O toureiro é um actor a quem sucedem coisas reais.”
O aumento visível do número de pessoas que transferem sentimentos para animais (sim, transferem, não os partilham sequer), deu nisto, dar importância a partidecos cuja única finalidade é promover/ lamber botas, estilos de vida completamente urbanos. Nada contra, a não ser quando estas mesmas “entidades” para promoção dos seus ideais, entendem que se deve aniquilar tudo o que não está conforme os seus padrões.
E já chegámos às bolachas em forma de animal, serem ofensivas para as crianças???
Para os que ainda acham que política é uma coisa e mundo rural é outra, pensem duas, ou três vezes! E até às Autárquicas passa a correr, e de esquerda ou de direita, pouco importa, mas pensem!
Não temos nome, apenas um apelido comum, taurinos!
Ester Tereno
