E porque é quase Natal, e Natal é amor, vá e presentes também, tenho que agradecer ao Instagram, deixou de mostrar o número de gostos! Obrigada por deixares de contabilizar o amor em índices de popularidade que nada dizem da relevância, muito menos do talento, da graça, e sobretudo da inteligência. O valor de cada um tem muito mais coisas lá dentro. Algum tempo para o amor e solidariedade em privado – é isso, não há nada melhor.
E olhem que a ideia, de uma foto minha a comer torresmos do rissol, possa ter tantos likes quanto uma foto da Sharon Stone ou de um cãozinho fofinho, é bem interessante…
Continuando a contabilizar, e para provar aos mais incautos que a matemática é uma ciência indispensável, proponho que façamos em conjunto o seguinte exercício. Vão ver que é espetacular:
A Petição Contra a alteração da idade para assistir a Touradas contava ao dia 26 de Novembro de 2019, com 4.324 assinantes.
Continuando, e para não melindrar ninguém, sim que neste meio muitos se melindram por tudo e por tudo, (e é Natal e não vale a pena), seguem sem nome claro, as páginas taurinas de Facebook, com mais número de seguidores em Portugal:
Página 1- 22 922 pessoas gostam disto
Página 2- 19 550 pessoas gostam disto
Página 3- 15 169 pessoas gostam disto
E esta, só esta, posso e vou dizer o nome: Touradas- 61 836 pessoas gostam disto
Como alguns destes números se repetem pois são as mesmas pessoas, tomemos por referência a que tem o número máximo, curiosamente, a da marca da entidade promotora da petição:
Pessoas que gostam da Página “Touradas” 61.836 – Assinantes da Petição 4.324 = 57.510!
Onde estão estas 57.510 pessoas?
A detalhe, a petição é dirigida ao Presidente da Assembleia da República e Líderes dos Grupos Parlamentares. E que consequências pode ter uma petição?
Da apreciação da mesma: uma eventual medida legislativa ou administrativa, a apresentação de um projeto de lei sobre a matéria em causa, etc.
Ok, isto interessa-nos, certo? Mas continuamos sem solução para o problema inicial. Sendo assim, elaboremos então as seguintes hipóteses:
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as pessoas são umas distraídas de primeira;
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as pessoas não querem nem saber delas próprias, visto não serem capazes de escolher sequer o melhor para o seu futuro e dos seus filhos;
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as pessoas preferem que outros escolham por elas, tornando assim possível, o fim previsível de tudo isto.
Era bom assinarem. E comerem o que quiserem. E defenderem o que é vosso e só vosso, vá lá pessoas…
“O que é que tu tens que eu não tenho?”. Pergunto eu a quem me quer proibir o que quer que seja. E nisto, tenho a resposta! Eles têm a capacidade de se mexer e pôr coisas a funcionar. Não me venham falar só de altos patrocínios, o atrás exposto prova bem isso. Inércia e parvoíce, plasmados nas nossas “testinhas” e atitudes…
Deixamos que decidam, tudo o que é violência grátis na TV, atitudes agressivas na escola, são fixes, malta que gosta de levar os filhos aos toiros é que não!! Bolas, convenhamos, os arquitectos dos filhos, são os pais! Certo…
A Petição “Nova Lei de Protecção dos Animais em Portugal”, tem mais de 100.000 assinantes… é confrangedora a diferença!
A esta altura, digo que quero que não sejamos uma cambada de carneirada que só faz é dizer mal no café da esquina, e quando é suposto tomar atitudes, chapéu.
Quero que deixemos de ser cobardes. Gosto muito do meu País para assistir a esta degradação de tudo…
Sabemos mexer tão bem os dedinhos para plasmar postas de pescada no Facebook, agora assinar cenas e votar e afins, isso é que já não! E os “outros”, ai os outros, já esses estão alerta e dispostos a invadir tudo o que é publicação do nosso lado e ofender-nos.
Mas tudo isto se complica ainda mais se atendermos a isto, vem um chamamento para uma concentração do Mundo Rural, e surpreendentemente, muitos saem à rua… Adoro, também fui, e assinei tudo e votei tudo, e não entendo o resto!
Confuso? Mas muito! Estou entre a personalidade “tuga” do fatalismo “não-vale-a-pena-porque-a-hecatombe-é-inevitável” e o “deixa-andar” ou o “agora-sim-já-fiquei-com-medo-vou-espevitar”, pode ser que alguma coisa mude entretanto…
Se somarmos a isto, toda a época natalícia, é a confusão total!
Deixando de lado questões de validade do calendário litúrgico, consumismos desenfreados, importações de figuras da Lapónia para regozijo dos pequenotes e grandotes, etc.. Esta é uma época em que a “obrigação de as coisas estarem bem, ou de se fingir que estão bem” é uma das coisas que mais chateia alguns, e pode até ser um momento complicado, cínico e triste.
A literatura já nos brindou com alguns exemplos Anti- Natal. Charles Dickens, com o livro Um Conto de Natal, o Dr. Seuss com o seu Grinch, odiando o Natal, tem como plano roubar tudo para impedir o evento, mas a celebração ocorre de qualquer maneira.
Mensagens subliminares, o mais importante de toda esta época no fim de contas, até para os mais tortos.
Algum especialista que não eu, um dia disse “os rituais, as tradições, cumprem uma função importante na nossa organização pessoal”. “Permitem-nos pontuar a passagem do tempo, (re) encontrar uma linha estruturante de vida e, sentirmo-nos parte de um todo”.
Natal ou não, somos rituais, tradições, sentimento de pertença e partilha, e nisto meus amigos, nisto, só a Tauromaquia cumpre todos os requisitos.
Amar é teimar, e nós amamos a Tauromaquia!
Eu que até sou uma miúda dos Natais e dos Presépios o ano todo, era bom que não fossem precisas estas datas, para nos lembrarmos dos verdadeiros amigos, de sermos solidários, humildes q.b. e defendermos o que é nosso e os que são nossos.
Corações em riste e umas Boas Festas Taurinas a todos!
Ester Tereno
