A expectativa criada para a corrida que juntaria duas figuras do toureio como João Moura e Pablo Hermoso de Mendoza foi alguma, e a noite de touros no Campo Pequeno realmente traduziu isso mesmo: casa cheia e muitos aficionados de verdade, mais do que público em geral. E depois, obviamente as lides de poderio…
O terceiro cavaleiro deste cartel de luxo foi João Moura filho, Mourinha como o chamávamos há alguns anos atrás. E para mim ao nível das duas figuras que encheram a primeira praça do País!
Sairam touros de Francisco Romão Tenório, com trapio, equilibrados e que serviram às lides, deixando, ao que me pareceu, todos os ginetes confortáveis para brilhar.
João Moura abriu esta nocturna com chave de ouro e a querer colocar a fasquia alta para quem se seguia. Pareceu o João Moura dos anos 90, a dar tudo por tudo, usando o cavalo como capote e cravando de alto abaixo, ao estribo, templado… uma lide acompanhada de música do princípio ao fim, tendo terminado com um ferro de palmo de excelente nível.
No seu segundo touro não esteve abaixo desta lide triunfal, apesar de ter um oponente de menor calibre. Abriu dentro dos terrenos do touro, cravou bem com uma brega muito Mourista, tendo havido uma quebra do touro pouco depois dos compridos, que impediu a música e levantou-se algum burburinho na praça por isso mesmo, tendo esse sentimento piorado com Moura a solicitar mais um ferro e o Director de Corrida recusando, tendo os tendidos ficado com Moura, apoupando a Direcção de Corrida.
Pablo, em declarações antes da corrida, já tinha frisado que era com o seu mestre que ia estar em praça e foi isso que demonstrou depois de pisar a arena. No seu primeiro esteve em grande, mas num reflexo perfeito do que Moura fizera momentos antes: colocando bem o touro, dobrando a montada sobre o oponente e embebendo no ladear a investida do touro. Depois de uma exibição de escola Mourista, brindou o público com o seu crivo: as Hermosinas.
No seu segundo toiro desta noite, Pablo voltou com as Hermosinas, teve em grande na cravagem e exibiu bem a sua quadra, bem posta e preparada para tudo, com uma brega com piruetas e remates excitantes.
Mas destas duas figuras eu não esperava menos, a não ser por grande azar, por isso a noite para mim ficou para a história pela actuação de João Moura júnior. O primeiro touro que lhe coube em sorte foi dos mais fracos da corrida, mesmo assim emociounou as bancadas com remates das sortes com o tal Mourismo, usado por Pablo na lide anterior. Tivemos batidas ao pitón contrário emocionantes e uma cravagem forte, com destaque para um ferro curto cravado de alto abaixo num cite de praça a praça.
Já com o último touro da noite, que lhe coube lidar, Moura júnior deu-nos a prestação que mais apreciei: esteve inspirado, com ferros extraordinários pela brega, pelo cite, pela colocação. Foi uma lide sempre a crescer que deixou a garantia de que a escola de seu pai, veio para ficar e melhorar.
Nas pegas, a noite não correu pelo melhor, com vários forcados a terem de ser levados à enfermaria. João Serra, do grupo de Tomar, consolidou a pega ao segundo intento. Francisco Montoya, do Aposento da Chamusca, fechou-se com o touro à primeira tentativa. Do grupo de Portalegre, Ricardo Almeida, também conseguiu pegar ao primeiro intento. A pega mais dura foi a de João Oliveira, por Tomar, que apenas foi efectivada à quinta tentativa. Pela Chamusca, Francisco Andrade pegou ao segundo intento e no último da noite, Portalegre enviou para a cara do touro António Cary, que pegou à segunda.
Os touros de Romão Tenório deram direito a volta ao ganadeiro.
Silvia Del Quema
