O Campo Pequeno realizou a corrida que homenageia a Região Autónoma dos Açores com a praça cheia de açorianos, quer na arena, quer nos tendidos. E destacou-se a presença de Carlos César, do Partido Socialista (PS), que já presidiu ao Governo Regional dos Açores e é Presidente do PS, bem como do Grupo Parlamentar socialista, e é também membro do Conselho de Estado de Portugal e Vice-Presidente da Internacional Socialista. Um político que recentemente anunciou não se iria candidatar nas próximas eleições legislativas e que em 2003 foi membro da Comissão de Honra do Congresso das Cidades Taurinas, em Santarém; o histórico deste político, independentemente da sua cor partidária, é de grande importância e tê-lo no camarote de honra do Campo Pequeno deveria gerar um aplauso de pé de todos os presentes, o que infelizmente não foi o caso.
Já é tempo que os aficionados entendam a importância de terem políticos a assumirem e a darem a cara pela tauromaquia e que se esqueça a sua cor política, porque hoje em dia o mais importante é que em todos os quadrantes haja quem possa defender a tauromaquia. Aplaudamos a bem do futuro da tauromaquia nacional e mundial. Quando o Secretário-Geral do PS, António Costa, é presidido por um homem que é capaz de ir ao Campo Pequeno numa noite de touros, temos direito a ter esperança.
Precisamos agir com os políticos como políticos, para tal impõe-se apoiar todos, sem excepção, que dão a cara nas nossas praças e fazer-lhes ver a nossa mais-valia (o voto e outros tipos de pressão política que uma ‘indústria’ como a taurina pode fazer), para que não haja só dois ou três num só partido a defender os interesses de todos nós, que vestimos camisolas políticas de todo o quadro partidário português.
Posto este preâmbulo político, assistimos a um bom curro de touros de Eng. Jorge de Carvalho, que no segundo touro teve direito a volta, na qual se fez representar pela sua filha Raquel.
Ana Batista deu a sua vez de lide ao cavaleiro açoriano Tiago Pamplona, que teve uma bonita actuação na primeira vez que lidou no Campo Pequeno depois da sua alternativa, com uma boa prestação. A pega deste colaborante hastado foi efectuada à primeira tentativa por Francisco Matos dos Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense.
Ana Batista encontrou um bom touro e aproveitou-o muito bem apesar de ainda estar em recuperação da sua séria colhida em Coruche, no sábado anterior. Foi uma lide em crescendo, com curtos de grande nível que deixaram uma boa memória. A pega deste touro foi realizada pelo Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande, indo à cara César Pires, que realizou uma boa pega ao primeiro intento.
Filipe Gonçalves arrebatou o público com uma brega alegre e emocionante, tendo uma lide muito agradável, que começou com uma bonita e cativante sorte gaiola e fechou com a sempre emocionante cravagem de pares de bandarilhas. Pegou este touro o grupo de Beja, com Mauro Lança.
Manuel Telles Bastos teve um touro mais retraído, mas ao qual conseguiu dar uma lide de tom clássico, como é o seu toureio, de muito bom-tom. Pelo grupo Terceirense pegou Luís Sousa, uma pega à primeira tentativa.
Miguel Moura teve uma excelente actuação ante um bom touro, com uma boa cravagem de compridos após uma boa sorte gaiola e lide consentânea. Foi com este touro, que saiu a derrotar muito o forcado que se aguentou magistralmente, que o Ramo Grande arrebatou o troféu da noite para Melhor Pega, com Manuel Pires na cara.
João Salgueiro da Costa está num excelente momento e abriu a lide mostrando isso mesmo, pois apesar de estar num dos touros mais complicados da noite, que se adiantava, conseguiu dar-nos grandes momentos de toureio, apesar de ter levado uma pancada do seu oponente no pé que o obrigou a retomar as muletas quando veio saudar (com volta autorizada) a praça. Pegou este touro, Guilherme Santos de Beja, ao primeiro intento, como aconteceu em todas as pegas da noite.
Sílvia Del Quema
