Um curro com uma apresentação de categoria, proveniente da ganadaria Silva Herculano, deixou Filipe Gonçalves, Marcos Bastinhas e Luís Rouxinol Jr sem ovos para fazer o omolete. A capa era boa, mas o interior não tinha conteúdo, e foram os cavaleiros, cada a um a seu estilo, que escreveram algumas linhas nos livros que tinham pela frente. Sendo um cenário desmotivador, o público da desmontável de Samora Correia foi compreensivo e ninguém saiu desiludido com o mérito que tem de se dar aos ginetes e menos ainda aos forcados, dos grupos de Ribatejo e Azambuja, que tiveram pegas duras.
Contudo, houve para mim um momento de espanto no quinto touro, um dos mais prestáveis da noite, sem dúvida, mas que deu volta ao ganadero. Pela qualidade que o touro teve, não se justificava volta à arena, mesmo de uma desmontável. A única coisa que o poderia justificar era uma volta por comparação aos quatro anteriores touros, mas esse é um critério que não consta de nenhum regulamento que eu conheça.
Perante os mansos em praça, Filipe teve um primeiro touro que podemos considerar marcou o mote da noite, apesar de não ser o pior: retraído e a adiantar-se ao cavalo, não deu margem a que o ginete desse mais do que deu ante um oponente fechado em tábuas desde cedo.
Com o seu segundo touro não teve muito mais sorte e foi imenso o seu valor a procurar satisfazer o público e a sua arte, fechando a lide com um par de bandarilhas e mantendo uma lide de boa ligação com os tendidos quase cheios de Samora.
Marcos Bastinhas teve um touro muito semelhante ao saído anteriormente, de Filipe, com reservas e falta de investida e conseguiu ter momentos de cravagem correcta, mas sem o brilho que estamos acostumados nas suas actuações, pois a mansidão com que se deparou não lhe permitia.
Com o outro touro que lhe coube em sorte, Bastinhas filho foi obrigando o touro a crescer e conseguiu sacar-lhe momentos de toureio com verdade, ainda que pontualmente. Foi neste touro que o director de corrida, João Cantinho, concedeu volta ao ganadero.
Rouxinol Jr começou a noite ante o terceiro touro a sair em praça, sendo este o pior da noite. Nunca saiu das tábuas, desde que pisou a arena. Obrigou a uma lide de sesgo em que, mesmo assim, a investida era praticamente nula. Foi preciso o jovem cavaleiro acreditar em si e foi preciso ter o saber dinástico que já tem e foi preciso respeito pelo público e foi preciso superar um verdadeiro touro difícil para cumprir como cumpriu. A meu ver e para a minha sensibilidade esta foi a melhor actuação de Samora Correia, pois se os touros não permitem o público pouco pode esperar ver que não seja mesmo o esforço conseguido ante o pior que pode sair da porta dos sustos.
Ante o último da noite, Rouxinol teve mais sorte e aproveitou bem o colorado que esteve com ele em praça e que creio ter sido o melhor touro da noite.
Para os moços das ramagens, pelo Ribatejo foram à cara André Martim , que se fechou ao primeiro intento; tal como Ricardo Jorge; sendo que Nuno Amaro pegou à segunda tentativa. Pelo grupo da Azambuja foram caras, Fábio Nunes, à segunda; Telmo Carvalho e Felipe Ramalho ambos à primeira e ficando na memória a excelência da última pega da noite.
Silvia Del Quema
