A homenagem a Joaquim Bastinhas passaria despercebida ante o poder do cartaz de Évora, com Pablo Hermoso de Mendonza, Marcos Bastinhas e Guillermo Hermoso de Mendonza, para seis Passanhas, a serem pegados pelos grupos de forcados amadores de Évora e São Manços.
O primeiro touro da noite foi o menos luzido, mas deu a primeira de três voltas ao rejoneador de Navarra, que trouxe o seu filho para se apresentar em Portugal nesta praça esgotada do coração do Alentejo.
Bastinhas, que tem trajado a preto e branco, traz na alma as cores que põe no seu toureio, e teve uma excelente prestação no segundo touro da noite, apesar de ter sido no seu último Passanha que deu a segunda e terceira volta à arena, uma delas acompanhado pelo ganadero e maioral.
Guillermo não teve uma lide de sonho com o seu primeiro opoente, mas para lá caminhou no segundo e ninguém deixou de colocar muita esperança neste jovem que funda a dinastia hermosina no toureio.
As pegas foram duras, mas de execução imponente para ambos grupos, com touros a derrotar muito e a exigir poder e saber aos forcados.
Pablo abriu praça ante grande expectativa, mas o touro não lhe deu grande margem, pois apresentou-se retraído na investida, deixando o espectáculo por conta do cavaleiro, que bregou em ladeio e a duas pistas, dando bom ambiente à corrida com uma cravagem correcta. Manuel Rovisco, por Évora, efectuou uma boa pega ao primeiro intento. Com a sua segunda lide da quente noite eborense, Pablo esteve forte do primeiro ao último ferro, com touro que nunca foi a menos e se entregou na lide, como aliás, viria a acontecer também com o sexto da corrida. O veterano de Navarra teve sortes completas, elegantes e vistosas, com a cravagem no ponto certo. Mereceu a segunda volta que deu, na companhia do forcado de São Manços, João Fortunato.
Marcos Bastinhas foi buscar o seu primeiro Passanha à Porta Gaiola, concretizando esta sorte de forma emocionante e correcta, mantendo o ritmo de boa lide nos curtos, apesar de um percalce com a sua montada a escorregar frente ao trajecto lateral do touro sem consequências; e culminando a lide com um ferro de palmo e um par de bandarilhas na linha de seu pai, cuja casaca negra velava a corrida por cima dos curros. A pega esteve a cargo do grupo de São Manços e foi feita à segunda tentativa de Jorge Valadas. Com o seu segundo touro, Bastinhas teve um excelente parceiro mais do que oponente. Fez uma Sorte Gaiola, ante um touro de muita pata, nunca perdeu um quite, se assim se pode dizer, e teve uma lide muito merecedora das duas voltas que deu após dois bonitos pares de bandarilhas. Uma volta para o ganadero e outra volta para o forcado de Évora que foi à cara e se fechou com o touro ao primeiro intento, Dinis Caeiro.
Guillermo Hermoso de Mendonza, quase a fazer 20 anos é onde o rejoneio espanhol tem os olhos postos deste a sua alternativa, este ano, em Sevilha. Apresentar-se na terra do toureio a cavalo, é motivo de comoção, mas no seu primeiro touro não conseguiu preencher o conhecimento da bancada portuguesa, com ferros compridos descaídos e hesitação para a colocação do primeiro curto. Porém, assim que colocou, de forma impressionantemente correcta, o primeiro curto, mostrou o seu valor e deu-nos uma bonita lide, usando muito o ladear como seu pai, mas imprimindo muita correcção na sua cravagem. A pega foi de João Madeira, por Évora, à primeira tentativa. O último Passanha que saiu nesta nocturna foi outro excelente touro de um bom curro, e Guillermo teve capacidade para desfrutar com ele, usando um cavalo famoso da quadra de seu pai, o Disparate, com o qual cravou muito bem, mostrando uma brega muito ao estilo de Pablo, e fechando com um par de bandarilhas que tão bem homenageiam o homenageado da noite… A pega foi de Pedro Galhardo, ao segundo intento, do grupo de São Manços.
Sílvia Del Quema
