Mais uma vez pude confirmar que Portugal tem talentos fortes para o futuro da tauromaquia, nomeadamente no que respeita ao toureio a pé. Infelizmente, também pude conferir que o toureio a pé continua a não ser suficientemente apelaria para a aficcion portuguesa, que cada vez mais está composta graças ao excelente trabalho dos grupos de forcados. Digo isto porque, com entrada gratuita, a um sábado à tarde, durante dias de largadas numa das cidades mais taurinas de Portugal, e a praça Palha Blanco não esteve mais do que perto de meia.
De parte esta nota negativa, o positivo é ver um cartel de escolas internacionais em que apenas um dos novilheiros não era português. Assim tivemos: Sérgio Nunes, que, pela escola de Madrid, mostrou destreza no capote e ousadia com técnica na muleta ante um bom Falé Filpe; Jordi Perez, por Valência, que se destacou nos passes de muleta afarolados e de joelhos, com outro bom oponente, desta feita da ganadaria Palha.
João d’Alva foi o terceiro da tarde e destacou-se fortemente a representar a escola da terra, a José Falcão, com imponência no capote, fortíssimo nas bandarilhas e bem pela direita como pela esquerda com o seu Falé Filipe. Leonardo Passareira, da escola de Salamanca, teve um oponente também de Falé, mas menos cooperante, tendo batalhado para conseguir ficar por cima do touro.
Rui Jardim, da Moita, voltou a dar à praça um grande momento nas bandarilhas, depois de ter dado bons passes de capote, mas estando ainda mais forte na muleta. Luís Silva, da Academia do Campo Pequeno, brilhou ante um Palha, sublinhando-se a sua destreza no capote, que nos deu uma marcante meia Veronica, nas bandarilhas manteve o nível e foi na muleta que fechou a tarde com uma fluidez de passes fabulosa para um novilheiro.
Sílvia Del Quema
