Caldas foi outra vez casa cheia, desta feita na corrida mais famosa da famosa data do 15 de Agosto. Em praça, ante um curro de António Silva, estiveram Filipe Gonçalves,
Francisco Palha e João Ribeiro Telles. As peças foram feitas pelos grupos de Santarém e Caldas.
Palha, como já constatei, está num ponto alto da sua carreira, este francamente bem em ambas lides e destaca-se pelo seu toureio, montadas e leitura dos touros.
Assim, frente ao primeiro que lhe saiu em sorte, apresentou uma lide coesa, com uma brega elegante e uma excelente cravagem, com ferros cuidados e postos de alto a baixo. Com o seu segundo touro esteve igualmente a levantar os tendidos em ovação, com marcantes vires de praça a praça e cravando com a mesma precisão anterior, ao estribo, e a transmitir muita emoção.
Filipe Gonçalves teve um primeiro oponente de pouca ligação, mas vingou pelos seus cites vistosos ao píton contrário e manteve uma boa cravagem, com duas bonitas sortes frontais. Ante o seu segundo touro, teve alguns desentendimento com o mesmo, mas acabou a dar-lhe a volta por cima e fechou a sua actuação com um bom par de bandarilhas.
João Ribeiro Telles esteve bem ante ambos touros, cravando nos dois ferros de boa memória e tendo lides que sublinham o seu estilo que gosto de apelidar de clássico ousado. Não conseguiu mais no seu segundo touro, pois desde cedo mostrou mansidão, que o cavaleiro da Torrinha colmatou com um ferro de violino e um palmito em terrenos cambiados.
A tarde das Caldas foi não só a data mais taurina do ano, mas também o 25º aniversário do grupo de Forcados Amadores das Caldas, havendo a devida homenagem a decorrer no intervalo.
Contudo, não foi uma tarde fácil para as pegas, o currículo foi duro e por Santarém pegaram Lourenço Ribeiro à segunda tentativa; António Taurino à primeira; e Rúben Giovetti à segunda. Pelas Caldas, foram à cara Francisco Mascarenhas, numa complicada e dura pega a sesgo ao quarto intento; António Cunha à primeira; e Lourenço Palha, que consumou ao segundo intento.
Silvia Del Quema
