O minuto em memória do ganadeiro Engº António Silva, falecido na passada quarta-feira foi o único momento de silêncio na primeira corrida da temporada da praça Carlos Relvas, porque em todos os outros a noite esteve entretida. O cartel popular levou gente à festa e a casa estava preenchida a cerca de ¾. O tão esperado curro de “Silvas” correspondeu às expectativas e cumpriu bem, com toiros bem apresentados de peso e trapio e em geral com casta e sangue, sem dar facilidades.
Joaquim Bastinhas começou a noite com um toiro que se foi complicando e encostando a tábuas e frente ao qual esteve regular, cumprindo a ferragem da ordem. Na segunda metade Bastinhas não teve melhor sorte e voltou a ter que andar por tábuas para resolver a lide. Terminou com bom ambiente, com o seu par de bandarilhas e habitual saída apeada para o pátio de quadrilhas.
Luís Rouxinol foi o vencedor do primeiro prémio atribuído pela Casa Ermelinda Freitas em disputa nesta corrida. O prémio não resultou da primeira lide, que correu muito irregular ao cavaleiro afilhado de Setúbal. O oponente encastado castigava nas reuniões e cortava terreno e chegou a tocar a montada duas ou três vezes durante a lide. Mas Rouxinol é um cavaleiro lutador e por isso não é de estranhar que na segunda metade viesse com ganas de triunfo e de pôr a carne no assador. Tentou uma porta gaiola mas o toiro cortou-lhe terreno e não resultou com a habitual espectacularidade. Mas não demorou muito a entender o “Silva”, que foi um dos mais bravos da noite. A lide veio de menos a mais e foi com ferros ao estribo e o público entregue que se sagrou mais uma vez triunfador.
Filipe Gonçalves lidou um “Silva” colaborante na primeira parte. Esteve regular e num registo sóbrio que começou com batidas ao piton contrário para terminar melhor de frente. Na segunda parte fez das suas e apresentou o cavalo artista do ferro de Paulo Caetano que se exibiu em palmas, piruetas e subidas ao estribo da trincheira. Terminou a lide com ambiente na praça e um par de bandarilhas.
Vestiram as jaquetas para a televisão três grupos menos rodados a quem se deu uma oportunidade. Não houve pegas realmente boas esta noite e em geral os três grupos tiveram dificuldades nas pegas dos “Silvas”.
O prémio em disputa foi atribuído à primeira pega da noite dos Amadores do Ribatejo, pelo cabo João Machacaz à primeira tentativa. Por este grupo pegou ainda Afonso Gonçalves à terceira tentativa.
Dos Amadores do Montijo foram caras Carlos Morais que concretizou à terceira tentativa e Isidoro Cirne à primeira tentativa.
Dos Amadores de Beja pegou à primeira João Fialho e Hugo Santana à terceira tentativa.
Esta noite esteve em grande destaque a Casa Ermelinda Freitas, que nos últimos anos tem trazido enorme prestígio aos vinhos da região e que fez esta a sua primeira corrida de toiros, com muito sucesso. A Casa Ermelinda Freitas decidiu atribuir troféus para a melhor lide e melhor pega da sua primeira corrida e o júri decidiu que os mesmos eram devidos a Luís Rouxinol pela sua segunda lide e a João Machacaz pela primeira pega dos Amadores do Ribatejo.
