Nas Caldas da Rainha ninguém esperava uma casa quase esgotada como a de Salvaterra, na véspera. Numa noite em que há três corridas (Nazaré com boa casa e Foz do Sizandro quase cheia), não tão distantes umas das outras, foi de espantar a adesão do público e de louvar o agradecimento de toureiros e forcados numa volta à praça para agradecer à aficcion a presença nas praças, não só naquela, mas em todas.
A empresa mostra um toque de Midas ao compor cartéis e somou mais um sucesso de bilheteira, desta feita com um curro a condizer.
A corrida das famílias toureiras, como foi chamado, deu destaque aos Rouxinóis, sobretudo o filho, mas foi um grande momento de António Ribeiro Telles filho, que, como cavaleiro amador lidou um novilho Prudêncio, enquanto os companheiros de cartel tiveram pela frente prestáveis Fernandes de Castro.
As pegas foram pelos grupos de Lisboa, Real de Moura e Caldas da Rainha. Por Lisboa pegou Pedro Gil, ao primeiro intento, e João Varanda também à primeira. De Moura pegaram ambos à primeira, Cláudio Pereira e Gonçalo Borges. Pelas Caldas, foram à cara, Lourenço Palha e Francisco Esteves, ao primeiro intento.
João Moura teve pouca sorte com o seu hastado, sendo o mais fraco da noite, mas teve uma cravagem correcta e emocionante. O seu filho Miguel Moura.
António Ribeiro Telles esteve forte, clássico e deixou um bom sabor com a sua líder, no entanto, foi o Ribeiro Telles mais novo quem mais impressionou desta dinastia.
Começou algo nervoso nos compridos, a cravar mais irregularmente no início, e depois ao ganhar à vontade teve uma lide a mostrar vontade, saber equestre e uma brega bonita, com sortes bem realizadas, destacando-se dentro da sua categoria de amador com muita nobreza.
Rouxinol pai teve uma lide de emoção, mas eixos bastante margem para podermos dizer que o seu filho triunfou. Cresceu para o touro a cada ferro e deixou muita emoção na praça cheia.
Foi uma noite que fechou a chave de ouro com a ideia de agradecer ao público estar a voltar às praças e a mostrar, deste modo, que Portugal é um país taurino e assim deve permanecer.
Silvia del Queme
