A comemorar 92 anos de fundação, a praça de toiros de Salvaterra de Magos encheu ontem em cerca de meia casa na corrida de homenagem aos emigrantes, com um cartel apelativo.
Tendo na ganadaria Palha a “divisa” da noite, a corrida decorreu sob o seu signo e houve para o toureio a cavalo de tudo um pouco, graças ao lote de comportamento díspar. Ao quarto e quinto toiro da ordem, foi-lhes perdoada a vida e regressaram ao campo.
Rui Salvador começou por lidar um dos colaborantes do lote. Apesar de ter começado com alguma irregularidade e passagens em falso nos compridos, a lide decorreu em plano de correcção nos curtos, destacando-se destes, o primeiro, cravado de dentro para fora em quarteio e ao estribo.
Frente ao quarto da ordem, que tinha mobilidade e transmissão, o cavaleiro andou inspirado e desde a primeira brega a receber o toiro até ao último ferro, se viu com verdadeiro sentimento e entrega. Numa lide muito ligada, redonda e bem combinada entre a brega pelas tábuas, a colocação do toiro em sorte, os ferros de frente e os seus remates, o cavaleiro andou a gosto e acometido. Marcou assim a sua passagem com uma nota muito positiva, que lhe valeu a atribuição do prémio de melhor lide.
Ana Baptista também passou com nota positiva por Salvaterra. Em particular, andou correcta na lide do primeiro Palha, que cumprindo, permitiu o adorno de alta escola e bons ferros de frente.
Com génio, o segundo do lote de Ana Baptista foi mais complicado e não permitiu à cavaleira uma lide tão serena, embora correcta. Cravou os ferros da ordem nos médios, de frente e à tira, passando dignamente pelo tauródromo ribatejano.
O mais jovem do cartel, Marcelo Mendes, foi o menos bafejado pela sorte esta noite. O primeiro oponente que lidou transmitia e apertava no momento da reunião e embora o ginete tenha resolvido a papeleta, é certo que não se entendeu plenamente com o exemplar. Com alguns toques na montada e problemas resolvidos a toque de violino, não sou a música nem saiu para a volta.
Mas por vezes, é mesmo na adversidade que nascem as melhores oportunidades. Marcelo Mendes voltou a não ver o lenço branco do director Pedro Reinhard a conceder-lhe música no último do lote, mas viu o público completamente entregue ao seu esforço para se impor ao manso perdido que lhe coube em último lugar. Este último toiro, que logo à saída dos curros procurou as tábuas, obrigou a que o ginete entrasse nos terrenos e cravasse os ferros a sesgo. O público reconheceu o esforço e não hesitou em apupar o director, que, a nosso ver acertadamente, lhe recusou a música.
Nas jaquetas de ramagens dos dois conceituados grupos, não houve dificuldades acrescidas no curro de Palha, que se deixou pegar.
Pelos Amadores de Montemor-o-Novo foram à cara António Vacas de Carvalho e Tiago Telles de Carvalho à segunda tentativa e Francisco Borges, que arrecadou o prémio de melhor pega, com a que foi, realmente, a grande pega da noite – ao primeiro intento.
Pelos Amadores de Vila Franca de Xira pegou Rui Godinho à primeira tentativa, Rui Graça à segunda e Ricardo Patusco à primeira tentativa.
