Começou a feira de São João, que tem lugar na ilha mais taurina do mundo, a ilha Terceira. Numa tarde de sol, com ¾ de praça completos, foram lidados 6 toiros da ganadaria de Rego Botelho por Daniel Luque, Juan Leal e Jose Garrido. Dirigiu a corrida o Sr. Carlos João Ávila, assistido pelo Dr. José Vielmino.
Para abrilhantar a corrida a Banda Filarmónica Associação Cultural do Porto Judeu.
Saiu em praça, Daniel Luque, para lidar o primeiro do seu lote, com 450kg. Recebeu com bonitas verónicas, depois por “chicuelinas”, citando de largo, exibindo arte no quite de capote.
Depois de colocadas as bandarilhas, iniciou o tércio de muleta com bonitas manoletinas. Num toureio pausado, desenhou uma série de naturais ajudados. Passando à mão direita, frente a um toiro que não se fixava na muleta, ficava curto e, que, por diversas vezes, virava o piton na tentativa de agarrar o toureiro, Luque rematou com uma boa série de derechazos finalizando com passe de peito. Voltando a cambiar para a mão esquerda, acabou por simular a estocada.
Frente ao segundo do seu lote, Luque toureou e encantou. Recebeu o “Descornado”, um jabonero de 462kg, de joelhos. Numa faena que veio de menos a mais, desenhou bonitas verónicas com o capote, rematando à meia verónica.
Já com a muleta na mão direita, junto a tábuas, traçou “doblones” chegando aos médios. Numa lide consistente, em que o toureiro conseguiu entender e corrigir algumas das limitações do toiro, Luque toureou com maestria. Com boas séries de derechazos, num toiro que humilhava e recorria, deixando-se tourear por ambos os lados. Aviso para terminar a lide. Terminou a lide, deixando o estoque na arena e num “cambio de manos” ainda tirou partido da investida do toiro. Toureiro!
Juan Leal, um repetente da feira, triunfador do ano anterior, saiu á arena e recebeu o primeiro do seu lote, de 506kg, por verónicas e “tafalleras”. No capote exibiu técnica, citando de longe, destacando-se as “lopezinas” bem executadas rematadas com “revolera”. Frente a um toiro que prometia, mas que cedo “rachou”, ainda assim, Juan conseguiu uma boa lide. Destaque para a alternativa de bandarilheiro do terceirense, Gonçalo Toste, que cravou um bom par de bandarilhas.
Com a muleta, no centro da arena, Juan citou de largo e desde cedo arriscou. Iniciou pela esquerda com naturais, mudando para a mão direita, numa boa série de derechazos, rematados com passe de peito. Na arena já entoava um “pasodoble” enquanto Juan toureava a gosto. Frente a um toiro que cumpriu; investindo e humilhando, Leal delineou mais uma boa série de passes pela direita, levando o toiro por largo e redondo na muleta, até este “rachar”, refugiando-se em tábuas. Ao simular a estocada, foi colhido, ficando um pouco estonteado, mas ainda assim, deu volta á arena.
No segundo do seu lote, Juan não teve igual sorte. Um rego Botelho de 526kg, que Juan recebeu com verónicas, demonstrava uma boa investida. O destaque para o 1º e 3º par de bandarilhas colocados por João Pedro Silva, o “Açoreano”, que pisou a arena para agradecer a forte ovação do público. Ainda no inicio do tércio de muleta, depois de alguns derechazos, o toiro acabou por se lesionar, sendo recolhido por ordem do diretor de corrida.
José Garrido, uma das jovens promessas do toureio a pé, corroborou, com mérito, a sua reputação. Recebeu, de joelhos, o sobrero da corrida, com 484kg. No capote exibiu técnica e desenhou bonitas chicuelinas. Já com a muleta, por “doblones”, templou e mandou.
Depois de uma boa série de derechazos, rematou com passe de peito e passou á mão esquerda. Frente a um toiro que humilhava “demasiado”, Garrido viu-se obrigado a levantar a muleta, desenhando formosos naturais. Dando tempo e espaço ao toiro, tentando ajustar a investida do mesmo, Garrido mostrou garra, mas com um oponente que não transmitia grande emoção. Ainda assim, pisou terrenos curtos, ficando entre os pitons do toiro depois de exibir uma boa série de derechazos rematados pela esquerda. Ainda antes de simular a estocada, traçou uma série de manoletinas. Garrido lidou o sobrero porque o 1º do seu lote, ao sair á arena, acabou por morrer depois de um violento embate no burladero.
Por último, garrido recebeu o seu segundo por entre verónicas, voltando a exibir técnica no capote. Destaque para o par de bandarilhas cravado por Diogo Coelho, também ele, oriundo da ilha Terceira. Na muleta, Garrido não teve o toiro que desejava. Saindo solto da muleta, ainda tentou desenhar bonitas séries de derechazos mas sem êxito. Verificou-se melhorias quando mudou para a esquerda, no entanto, no final da lide, de forma surpreendente, o toiro lesionou-se, sendo recolhido por ordem do diretor de corrida, sem que Garrido pudesse terminar a lide.
Terminou assim a primeira da feira de São João, com toiros de boa apresentação, mas com algumas repercussões. Destaque para os toureiros, que estiveram grandes, frente a um curro pouco afortunado.
Denise Coelho
