Como vem sendo tradição, 10 de Junho é sinônimo de corrida de toiros na Monumental Celestino Graça em Santarém, inserida nos festejos da Feira Nacional da Agricultura. Este ano não foi exceção e, numa tarde de sol, contando com uma boa meia casa, foram lidados os 6 Passanhas por Luís Rouxinol, Rui Fernandes e João Telles Jr. Foi também a data escolhida para assinalar a mudança de cabo daquele que é o grupo de forcados mais antigo do nosso país, o grupo de forcados amadores de Santarém.
No dia que completava exatamente 29 anos de carreira, Luís Rouxinol abriu praça frente a um toiro de 520kg, com o “Douro”. Como já nos veio habituando, Rouxinol não consegue “estar mal” em praça. A forma como recebeu o toiro foi fenomenal, levou o toiro na garupa do cavalo em 3 voltas à arena, parando-os nos médios. Cravou 3 compridos de boa nota, citando de largo, deixando a vantagem ao toiro. Já nos curtos, com “Ulisses”, a lide não foi de menos a mais, no entanto, Rouxinol esteve regular na cravagem, rematando com um ferro de palmo, pedido pelo público.
Para a pega, o até então cabo, Diogo Sepúlveda. Numa pega vistosa e com muita técnica, mostrando o grande forcado que é, consumou ao primeiro intento; com o toiro a “”ensarilhar” no momento da reunião e a fugir um pouco ao grupo, obrigando Diogo a fechar-se de forma exímia à córnea. Seguiu-se a passagem de testemunho a João Grave e a volta à arena de Diogo seguido de todos os elementos do grupo presentes em praça. Momento de grande emoção que ficará na memória de todos.
Rui Fernandes recebeu o 2º da tarde, com 505kg. Andou bem na cravagem dos compridos e, já com “Gavião”, passou aos ferros curtos. A citar de largo, cravou bonitos ferros, bem rematados com ladeares, estando sempre “por cima” do toiro.
Para a pega, João Grave, a sua primeira como cabo. Não podia ter começado de melhor forma. Uma pega rija, que mostrou toda a valentia do forcado. Recebeu bem o toiro, aguentando fortes derrotes já fechado na córnea consumou ao primeiro intento. Forte ovação para a pega da tarde.
Para finalizar a primeira parte da corrida, João Telles Jr para a lide do 3º toiro, com 545kg. Regular na cravagem dos compridos, o destaque vai para os curtos. A deixar ferros de muito boa nota, citando de largo, dando vantagens e terrenos ao toiro, com batidas ao pitón contrário cravando o ferro de alto a baixo. Remata a lide com uma sorte de violino bem executada.
A pega esteve a cargo de Luís Sepúlveda, que, de forma pouco ortodoxa, pega o toiro quando este sai solto, sem estar colocado para o cite. Uma pega sem complicações e consumada ao primeiro intento, mas sem brio.
O Segundo de Rouxinol, com 565kg saiu um pouco distraído e solto. Na cravagem dos compridos, Rouxinol a rematar com ladeares e recortes por entre tábuas. Nos curtos, com “Viajante”, colocando o toiro e lidando de boa forma, cravou bons ferros com destaque para o 4º. Já com “Antoñete”, finalizou a lide com nota alta cravando um bom par de bandarilhas.
Para a pega, João Brito, forcado consagrado, oriundo da ilha Terceira envergando a jaqueta dos amadores de Santarém. Pega consumada ao primeiro intento, com o forcado a estar irrepreensível na reunião com o toiro fechando-se à córnea.
É frente ao segundo do seu lote, com 550kg que Rui Fernandes consegue a lide da tarde. Estando impecável na ferragem comprida, destacando-se o seu 2º ferro. Na ferragem curta, Rui Fernandes esteve a gosto. A cravar de alto a baixo, estando sempre por cima do oponente que investia de uma forma cómoda, recorrendo. Citando a curtas distâncias, com batidas ao pitón contrário, esteve toureiro dando tudo de si numa atuação brilhante. Destaque para os dois últimos ferros curtos colocados “a receber” o toiro, cravado ao estribo, rematado com uma pirueta na cara do toiro. Rui Fernandes vinha com “ganas” de triunfar e demostrou-o dentro da arena.
Para a pega, Lourenço Ribeiro a sofrer forte pancada no peito na primeira tentativa e a não ficar na cara do toiro. Consumada ao 2º intento, numa reunião em que recuou demasiado, levando o 1a ajuda carregado.
O último da tarde, com 500kg, coube a João Telles Jr. que esteve bem a receber e a cravar os compridos. João esteve regular na cravagem dos curtos, nota para o 2º e 3º ferros, citados de largo e bem rematados. Conseguiu transmitir ao público e finalizou com um bom ferro de palmo.
Para a última pega da tarde, António Góis, forcado do qual ainda temos presente a soberba pega efectuada o ano passado no Campo Pequeno. Finalizou com chave de ouro, consumando ao primeiro intento, suportando alguns derrotes fechando-se à córnea.
Dos “Passanhas” podemos dizer que cumpriram, destaque para o 1º e 5º da tarde, toiros voluntariosos e de bonita apresentação.
Denise Coelho
