O festival taurino que foi o culminar do Bullfest, não foi espectacular, mas teve bons momentos de toureio. O cartel contava com seis toiros de diferentes ganadarias, seis cavaleiros, três matadores e membros de diversos grupos de forcados, além de mais um touro para recortadores. Era uma boa miscelânea para quem quisesse, realmente, tomar contacto com a tauromaquia pela primeira vez. Para aficcionados era um cartel, talvez demasiado, original, porém sabemos que não era um dia comum e o objectivo de todo o Bullfest estava bem patente nesta composição congeminada pela organização.
Abriram praça Rui Salvador e Manuel Manzanares, numa lide pouco vistosa de ambos, mas de correcta cravagem. De má memória ficou a pega deste touro, que teve como forcado de cara Ricardo Cardoso, do grupo de Monsaraz. A pega concretizou-se, mas pelas mãos de João Grave, de Santarém, depois de uma verdadeira batalha, ao sexto intento, Ricardo magoou o braço, e foi à sétima tentativa que ficou pegado.
Os derrotes era violentos e o caminho irregular, foi uma pega impressionante, a deste Luis Rocha.
O segundo duo nesta tarde do Campo Pequeno foi o que triunfou, com Luis Rouxinol e Filipe Gonçalves ante um Pinto Barreiros a dar jogo e os cavaleiros a entenderem-se particularmente bem para a lide, sempre mais complicada a duo e, ainda por cima, com toureiros que não treinam juntos. Hugo Figueira, do grupo do Redondo, teve uma pega dura efectuada ao primeiro intento, mas que mereceu a segunda volta do primeira ajuda, Pedro Coelho dos Reis.
António Brito Paes, que substituiu Manuel Telles Bastos, entrou a par de Francisco Palha, coube-lhes o pior touro da tarde, de ferro Romão Tenório, com parca investida e que impediu a parelha de cavaleiros de triunfar, uma vez que sem dúvida foram os que tiveram o mais empenhado e coordenado trabalho a duo. Márcio Chapa pegou à terceira tentativa, pois as duas anteriores perdeu-se por o touro baixar muito a cara e não permitir a fixação na cara.
As bandarilhas de Fandi emocionaram a casa, cheia a pelo menos um terço, mas a prestação do matador espanhol com o Murteira Grave foi excelente também no capote e de elegância na muleta. A António joão Ferreira, coube um dos melhores oponentes da tarde e o melhor para toureio a pé, de Manuel Veiga. No capote esteve em grande nível e empenhou-se na muleta, obtendo bons momentos sobretudo pelo pitón esquerdo. Manuel Dias Gomes fechou a tarde com um Torre de Onofre complicado, mas mesmo assim mostrou uma categoria extraordinário no primeiro e último tércios.
Fecharam a festa, os recortadores Artelusa, ante um Prudêncio da Silva bem apresentado, com muita pata, que permitiu aos jovens recortadores mostrarem sortes diferentes, feitas a corpo e com um nível de emoção que manteve os tendidos ocupados até ao último momento.
Silvia Del Quema
