António João Ferreira, Nuno Casquinha e Manuel Dias Gomes estiveram a um nível extraordinário perante os seus oponentes de Calejo Pires e tiveram direito a abrir a porta grande tal foram as suas actuações.
É impressionante perceber o bom nível que o toureio a pé português tem, apesar das poucas oportunidades. António João Ferreira abriu as lides apeadas com um novilho muito prestável, deste curro de Calejo Pires que compôs o cartel da Festival no Sobral de Monte Agraço. Aproveitou e deu a desfrutar desde o trabalho de capote, colocou dois excelentes pares de bandarilhas e deu um a João Ferreira, que também cravou magistralmente, como é seu apanágio. Na flanela rubra impressionou numa lide redonda.
Nuno Casquinha, que tem triunfado consecutivamente na América do Sul, entregou-se a um novilho mais complicado, mostrou ganas toreras, depois de bandarilhar com muita correcção e emoção, tendo tido um desplante que retratou bem o seu espírito em praça: o touro roubou-lhe a muleta e ele seguiu-o e deu-lhe o peito com um joelho no chão.
Manuel dias Gomes este a gusto, com um novilho que lhe deu tudo o que ele pediu na muleta. Sacou uma grande variedade de pases com imensa categoria, podia ser uma faena de lição sobre nomes de trabalho de muleta.
A cavalo não houve História, mas houve bons momentos na cravagem de Rui Salvador, enquanto David Gomes teve algumas dificuldades a entender-se com o seu oponente, para depois acabar com dois bonitos violinos. Já Joaquim Brito Paes, conseguiu manter um nível bom para o seu estatuto de quem se está a iniciar. De informar, que o primeiro touro, para Rui, saíu visivelmente afectado dos membros e foi devolvido, tendo o cavaleiro de Tomar lidado depois o sobrero.
As pegas, efectuadas pelos elementos mais novos do grupo de Santarém, tiveram mérito. Foram caras: António Queirós e Melo, que pegou ao primeiro intento; Francisco Cabaço, que se fechou na cara do touro à quarta tentativa, por falta de ajudas para aguentar os fortes derrotes; Joaquim Grave, pegou à primeira.
O Sobral aproveitou esta ocasião para homenagear matadores de touros portugueses, o que tendo havido o triunfo que houve nesta tarde quente de Abril, foi como que um convite a apostar mais no toureio a pé nas corridas em Portugal. Dos homenageados presentes estiveram António dos Santos, José Trincheira, José Júlio, José Simões, Mário Coelho e Júlio gomes, além da filha e neto de Ricardo Chibanga, recentemente falecido, tendo Anete Chibanga recebido uma ovação importante. Na placa descerrada nesta homenagem ficaram também os nomes dos que não puderam comparecer: Francisco Mendes, Armandos soares, Fernando dos Santos, Óscar Romano e José Manuel Pinto.
É de frisar que o ganadero deu volta no touro de António João Ferreira.
Sílvia Del Quema
