A primeira corrida no mundo após a pandemia foi em Estremoz, com um curro Vinhas lidado por Rui Salvador, António Brito Paes, João Moura Caetano, Manuel Telles Bastos, Ana Rita, e Parreirita Cigano, com pegas de Arroches e Académicos de Elvas.
Independentemente do cartel, a importância de repor as corridas de touros, num cenário economicamente inviável para as empresas realizarem corridas. Mas sobretudo, num cenário de hostilidade à tradição taurina nacional.
Foi esta a verdadeira importância de ver a Festa Brava retomada, sendo emocionante que tal recomece em Portugal.
Em todo o mundo houve intenções de aproveitamento da pandemia para dar um golpe fatal à tauromaquia, mas creio que no nosso País foi onde os anti-taurinos estiveram mais agressivos.
Por isso a iniciativa do empresário (que vai ficar à frente da primeira praça do País) merece um louvor só por si.
O cavaleiro de Tomar abriu praça ante um touro colaborante, mas com que o ginete não se encontrou logo no início da lide de curtos, havendo algum desencontro, mas no final cresceu touro e toureiro sendo um lide elegante.
Pega à primeira pelo grupo de Arronches.
António Brito Paes esteve frente ao maior da corrida, com 605 kg, cheio de investida. Houve ferros curtos de bons contornos, apesar do touro se ter tornado reservado.
Os Academicos de Elvas efectuaram pega ao quinto intento, a sesgo.
Moura Caetano deu-nos emoção logo a receber touro, que ignorou os capotes e foi directo ao cavalo, tendo o ginete resolvido bem, mas numa situação de tensão.
Daí para a frente houve boa cravagem e uma lide bem ligada.
Os forcados de Arronches consumaram ao segundo intento.
Manuel Telles Bastos teve uma lide muito de seu tom: calma e clássica, frente a um oponente com quem se entendeu desde o primeiro momento.
Elvas fechou-se na cara deste Vinhas à segunda tentativa.
Ana Rita defrontou-se com um bom oponente, dando à corrida da resistências boa cravagem e bonita Braga, tendo culminado a lide de destaque, com dois violinos bem colocados.
Arronches pegou ao terceiro intento.
Parreirita Cigano teve um touro que saiu a transmitir e foi a menos, mas conseguiu uma lide homogénea para fechar a importante nocturna.
Os forcados de Elvas, à terceira tentativa, viram um forcado ir para dentro de maca, no quinto intento ficou pegado.
E assim se fez a primeira corrida da segunda fase de uma temporada atípica, cuja primeira fase foi praticamente inexistente. Uma corrida em que o minuto de silêncio pelo Maestro Mário Coelho ou os 70 anos da ganadaria em praça ou a ausência do cavaleiro sensação mexicano, que deu lugar a Ana Rita, Ou mesmo o prémio de melhor pega ter ido para o grupo de Arronches, com a pega de Rodrigo Abreu, foram tudo pontos de somenos: houve corrida.
Vai haver temporada.
Ainda que com máscaras e distâncias e sem voltas e só meias cortesias.
A Festa Brava resiste.
Silvia del Quema
