Manuel Calejo Pires, ganadaria com exploração solar na Herdade de Cabreirosrealizou a ferra no passado sábado dia 10 de Janeiro.
A ganadaria de Vila Nova da Baronia (do concelho de Alvito) está inscrita na Associação de Criadores de Toiros de Lide desde 2012.
A estreia em praça aconteceu em 12/10/2013, data em que a divisa azul, verde e ouroapresentou um eral no festival de Vila Boim.
Pois nesta manhã, que se prolongou sábado dentro, foram ferradas 29 fêmeas, filhas de dois sementais – o “Extraviado” e do “Rescoldito”, e de 29 das 100 vacas de ventre que compõem o efectivo.
No total de machos, foram ferrados 19 exemplares.
Além da substituição dos brincos pelo número de costado e das ferragens obrigatórias, foi igualmente momento não só para proceder à desparasitação como também para apreciar o desenvolvimento dos animais e as características de cada um deles.
Francisco Calejo Pires, filho do ganadero que dá nome à ganadaria e que neste sábado a conduziu os trabalhos, tem especial atenção à descrição de cada rês nos seus registos pessoais.
Um desses apontamentos é o detalhe da pelagem. E aqui, pese embora a variedade de capas, é nota dominante o preto e o flavo com algumas particularidades.
A ferra foi acompanhada pelas duas associações ibéricas em que a ganadaria está inscrita, já que além de Portugal, a ganadaria pode lidar em Espanha sob a égide da Agrupación Española de Ganaderos de Reses Bravas, representados neste sábado, respectivamente por João Vasco Lucas e pelo Dr. Carlos Santana.
Francisco Calejo Pires referiu-nos que, em termos morfológicos, as suas pretensões passam por apresentar toiros fisicamente preparados para investir.
O ganadero afirma que tem como principal objetivo que a ganadaria se destine ao toureio apeado, «Como tal, e, visto as exigências que este pressupõe, pretendemos conseguir um toiro com “hechuras” que lhe permitam expressar toda a sua qualidade e bravura da melhor maneira possível, assim, um toiro baixo, fino, de pescoço longo e boa colocação de córnea são algumas características morfológicas que pretendemos conseguir», diz-nos.
Sobre o seu ideal de bravura, Francisco Calejo Pires afirma, «Se me pedissem para definir a bravura numa só palavra, essa palavra seria “entrega”, para mim um toiro verdadeiramente bravo é aquele que se entrega do princípio ao fim da lide. Assim, não faço distinção absoluta entre bravura e toureabilidade, a meu ver estão intimamente ligadas. Se entendermos a bravura como uma reação ao castigo, um toiro com muita toureabilidade que investe de morro baixo, em círculos durante 60 passes, não o faz porque seja fácil, mas sim porque é bravo. Da mesma maneira um toiro bravíssimo em varas, mas que cabeceia e apresenta génio na muleta, começou a defender-se (falta de entrega) e já não o consideraria completamente bravo.
E acrescenta:
«Ligada a esta bravura e toureabilidade estão inúmeras características, como a nobreza, classe, casta, transmissão, etc, que acredito todos os ganaderos procuramos e que nos põe a todos de acordo quando esse toiro perfeito e utópico aparece em praça, as prioridades estabelecidas por cada ganadero, essas sim variam muito e dariam muito que escrever».
O ferro de Calejo Pires procede inteiramente da ganaderia Nuñez del Cuvillo, por sua vez formada a partir do encaste Domecq pelas ganaderias de Torrealta, Sayalero e Bandrés, Juan Pedro Domecq e Osborne e ainda com “uma ponta” de encaste Atanásio e Nuñez com pouco significado.
Neste sábado, entre os vários amigos do ganadero, esteve também presente o novilheiro Manuel Dias Gomes, com quem estivemos também à conversa.
A sua alternativa está para chegar e o promissor espada garante que está bastante motivado e concentrado na sua temporada e na sua carreira.
Nos 400hectares dedicados ao bravo, a divisa azul, verde e oiro de Calejo Pires, está em franco desenvolvimento e cresce à mercê da enorme afición dos seus proprietários.
Sara Teles
