Na solarenga tarde de 25 de Junho, deu-se início à segunda corrida da feira de São João na Monumental Praça de Toiros da Ilha Terceira. Um concurso de ganadarias que, uma vez mais, apresentava 6 toiros de diferentes ganadarias entre elas portuguesas e espanholas. Como tem vindo a ser habitual, o critério utilizado para definir a antiguidade das mesmas foi o utilizado durantes todos os anos anteriores, e também usado em outros concursos de ganadarias, onde se verificaram as mesmas circunstâncias.
Com as bancadas cheias e a expectativa em alta, vivenciou-se nesta ilha taurina uma ilustre tarde de toiros.
Em praça os cavaleiros Gilberto Filipe, Tiago Pamplona e Marcos Tenório Bastinhas. As pegas a cargo dos prestigiados Grupos Amadores de Forcados de Santarém e da Tertúlia Tauromáquica Terceirense.
Dirigiu a corrida, o estreante, Rogério Silva, assessorado pelo Médico Veterinário, Dr. José Paulo de Lima.
Abrilhantou a corrida (e bem!) a Banda Filarmónica Sociedade Musical e Recreio da Terra-Chã.
Gilberto Filipe enfrentou o vistoso “Espia”, com ferro Juan Pedro Domeq, de 460kg. Depois de uma correta cravagem dos compridos, Gilberto sacou o “Vinhas” para a colocação dos curtos. Numa lide cheia de emoção, frente a um hastado que veio a derrotar sempre “por alto” (chegando a rasgar o forro da casaca do marialva), Gilberto veio confirmar o seu triunfo do ano anterior. Destaque para o segundo ferro curto, onde Gilberto esteve correto no cite, numa sorte frontal, cravando ao estribo. O cavaleiro que primou pela boa equitação e pelos bons momentos de reunião rematou a lide com um palmito de boa nota, enfrentando a investida do seu oponente.
Para a pega, envergando a jaqueta do centenário grupo de Santarém, David Inácio, que esteve elogiável no cite, consumou ao primeiro intento à córnea, estando o grupo pronto nas ajudas.
Em praça Tiago Pamplona para a lide ao toiro Murteira Grave, de 434kg. Celebrando 10 anos de alternativa, o cavaleiro mostrou que vem de linhas toureiras. O toiro foi “parado”, de forma irrepreensível, no capote de Gonçalo Toste, que tirava a alternativa de bandarilheiro. Depois da ferragem dos dois compridos, frente a um oponente algo distraído, mas que Tiago entendeu e deixou-o curto. Pamplona esteve a gosto e pisou os terrenos acertados. Destaque para o 2º e 4º ferros curtos, não apenas pela boa cravagem, mas por todo o trabalho de entrega de Tiago desde a colocação do toiro até ao remate da sorte.
Para a pega, e em dia de aniversário, Helénio Melo, pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense, pegou ao primeiro intento fechando-se à córnea numa pega rija.
Finalizando a primeira parte, Marcos Bastinhas recebe com “portagayola” o toiro da ganadaria de Rego Botelho com 567kg. Um toiro algo distraído mas que foi melhorando depois da cravagem dos compridos. Ainda assim, não era pronto na investida e Marcos teve de “entrar” nos terrenos do toiro conseguindo cravar bons ferros numa lide que veio crescente, mas com o hastado a dar sinais de desgaste. Rematou a lide com um ferro de palmo e com o já inveterado par de bandarilhas que lhe valeu os aplausos do público.
Para a pega, frente a um toiro que desde cedo demonstrou sinais de que iria dificultar o trabalho dos homens das ramagens. João Brito (Pauleta), o açoriano, pelo grupo de Santarém, pega ao 3º intento depois de duas duras tentativas, sofrendo violentos derrotes, com ajudas carregadas. Uma pega rija e cheia de mérito do caras e dos ajudas.
Novamente em praça, para lidar o exemplar da Casa Agrícola José Albino Fernandes (503kg), Gilberto Filipe. O cavaleiro do Montijo cravou os compridos a um toiro que se mostrava algo reservado. Para os curtos, montando um cavalo de ferro “Diniz”, esteve toureiro desenhando bonitos ladeares, no entanto, o toiro era algo andarilho, estando aos “arreões”. Destaque para o 3º e 4º ferros curtos, numa sorte ao piton contrário, cravando de alto a baixo e para a boa brega do cavaleiro, tentando sacar algo mais de um toiro que mostrava sinais de “rachar”.
Para a pega, João Pedro Ávila, pelos amadores da Tertúlia, a citar, de forma adequada, a “mandar” no oponente, fechou-se à barbela ao primeiro intento, numa viagem de encontro às tabuas onde aguentou fortes derrotes, resultando numa pega tecnicamente boa e algo vistosa.
Em quinto lugar, Tiago Pamplona lidou o exemplar de João Gaspar, com 573kg. Um “Murube” que cumpria, mas que pouco transmitia, permitiu a Tiago uma lide que veio de menos a mais, com destaque para três ferros de boa nota com o cavalo “Zangado do Ilhéu”. No entanto, quando a lide atingia o seu auge, o toiro acabou por se lesionar, obrigando o cavaleiro a dar por rematada a sua lide.
A última pega a cargo do prestigiado grupo de Santarém, coube ao mais recente cabo, João Grave. Consumou com técnica e valentia, frente a um toiro que “ensarilha” no momento da reunião, adiantando o piton. Fechou-se à córnea ao primeiro intento com os ajudas a entrar nos tempos certos.
Para a última lide, a cabo de Marcos Bastinhas, estava reservada a surpresa da tarde. O exemplar da ganadaria Francisco Sousa (454kg), a mais antiga da ilha Terceira, mas que nesta tarde de 25 de Junho de 2016 debutava em praça, adquirindo assim a sua antiguidade. É caso para dizer que em praça havia um “Oceano” de bravura. Bastinhas desde cedo entendeu o oponente que tinha pela frente e fez questão dele tirar todo o partido e disfrutar de uma lide fenomenal. O primeiro comprido fez suspirar. Um ferro de “praça a praça”, com um toiro que arrancava de longe, cheio de “codícia”. Bastinhas esteve toureiro, usufruindo da qualidade que o toiro possuía. Nas sortes aguentou sempre pela investida do toiro, que vinha pronta e de longe, e rematou a gosto. Terminou a faena com um palmito e par de bandarilhas que fez furor nas bancadas. Excessiva e forçada a volta á arena com as duas montadas.
Para a pega, Luís Cunha, depois de uma primeira tentativa com um derrote violento, consumou à segunda tentativa.
No final da corrida foram entregues os prémios pela seguinte ordem:
Prémio de Apresentação – Toiro “Espia” nº 125, ferro Juan Pedro Domeq
Melhor Lide a cavalo – Marcos Tenório Bastinhas, frente ao 6º toiro
Melhor Pega – João Pedro Ávila ( GFATTT)
Melhor Toiro – “Oceano” nº2, ferro Francisco Sousa
Denise Coelho
Foto: André Pimentel
