Duarte Pinto está num momento alto do seu toureio e João Moura Caetano é um cavaleiro de primeira, mas Padilla é Padilla e a noite seria sempre dele na despedida das praças portuguesas com a sua última actuação de luzes no Campo Pequeno. Esperamos vê-lo em breve, de traje curto, nalgum festival por terras lusas e vários do outro lado da fronteira, porque temos ali o toureiro que agrada aos portugueses.
Para João Moura Caetano e Duarte Pinto saíram touros Vinhas e Padilla lidou Varela Crujo. As pegas da noite foram dos grupos de Santarém e Montemor-o-Novo.
A casa esteve bem composta, embora não se possa dizer cheia, aliás, esta temporada – que se aproxima ferozmente do fim – foi constante na moldura humana: podem não ter esgotado muitas corridas, mas por certo tivemos todas as corridas com grande afluência, numa quantidade de aficionados geralmente idêntica de corrida para corrida.
Padilla esteve em praça para ter porta grande e teve-a, como aliás era impossível não ter, mesmo sem bandarilhar, pois entregou-se e Lisboa reconheceu a sua entrega em ambas lides.
É uma entrega maior pela gravidade das lesões que várias cornadas já lhe deixaram, mas sobretudo é a entrega da paixão com que toureia para si e para o público. Em Padilla, aquilo que espanta sempre é a sua capacidade para tirar uma lide de emoção de qualquer touro com os sentidos toldados pelas feridas. Ele fá-lo porque toureia para si, para se superar e fá-lo porque só se supera completamente quando sente o público elevar-se na ovação ao risco que corre. É assim que é Juan José Padilla e foi ele que saiu pela que me parece ser a última porta grande desta temporada no Campo Pequeno.
João Moura Caetano abriu esta nocturna ante um touro difícil, com uma investida pouco clara, não houve ligação aos tendidos apesar dos esforços correctos na cravagem e brega. Com o seu segundo touro também não houve muita emoção, mas teve mais a gosto, presenteando-nos com melhores ferros.
Duarte Pinto teve um primeiro touro também complicado, mas sacou-lhe dois ferros de boa memória, tendo um ritmo muito agradável ao longo de toda a lide. Já com o seu segundo touro, ganhou o triunfo a cavalo. Desde os compridos até ao último curto, teve uma lide redonda, com emoção e cravagem de primeira.
As pegas foram efectuadas, pelas jaquetas de Santarém, por António Taurino, à primeira tentativa, e por Ruben Giovetty, que não se entendeu com o touro e por isso só consumou à sétima tentativa. Por Montemor, pegaram João da Câmara, na melhor pega da noite, ao primeiro intento, e Francisco Barreto, que se fechou ao terceiro intento.
Padilla abriu lide ante um touro com muita pata, lançando o capote de joelhos, numa afarolada larga impressionante, não bandarilhou e, por isso, foi na muleta que se luziu, com os desplantes arriscados que os tendidos adoram e lhe deram as duas voltas.
Com o segundo touro, Padilla esteve menos vistoso no capote e não bandarilhou, o que não agrada ao público, pouco compreensivo. Na muleta, reconquistou o público, não só com mais desplantes como com pases em redondo de grande nível, garantindo a saída em ombros.
Foi uma bonita despedida, até breve!
Sílvia Del Quema
