Não houve mossa para as touradas no debate promovido pelo PAN, na Assembleia Municipal de Lisboa, sob o tema “O Futuro do Campo Pequeno”.
Mas há-de haver. Todos sabemos que a coragem política se prende com a moda do politicamente correcto ou incorrecto, pelo que sabemos que no tema da tauromaquia, estamos no campo do politicamente incorrecto.
Todos sabemos que os políticos não têm coragem. Vivem presos à necessidade de serem eleitos e de pagarem favores. Portanto, não podemos contar com quase nenhum deles. Todos sabemos também, que a meta do PAN, com claros apoios do BE e PEV, mas com a concordância de outros partidos, é a de acabar com as touradas.
Depois de nos sentirmos vitoriosos, há pouco meses, com a derrota da proposta – feita pelos suspeitos do costume – de abolição das touradas no Parlamento, agora vimos uma paupérrima reunião da edilidade da capital discutir o futuro de um símbolo da tauromaquia nacional, futuro cuja discussão se resumia a acabar com a sua função de praça de touros. O mundo taurino insiste em desvalorizar estes ataques como propaganda e provas de vida de um partido eleito por engano.
Mas recordem-se da História de Portugal: o partido republicano representava 5% do eleitorado em 1910. Era um engano, um nicho da sociedade urbana, uma minoria moderna. É exactamente esse o enquadramento do PAN e comparsas, mas hoje somos uma república…
O que me impressiona é a paciência. Estes partidos a darem prova de vida, estão mesmo vivos. E acreditam nas barbaridades que dizem a plenos pulmões anti-democráticos! E, já na obra Arte da Guerra, se dizia que o nosso maior aliado é a persistência de acreditar no nosso objectivo.
Resumindo, ao Campo Pequeno não aconteceu nada hoje. Amanhã provavelmente também não acontecerá, mas depois de amanhã deixarão de haver actividades taurinas ali, e no resto do País será no dia a seguir.
O Presidente da Câmara, Fernando Medina, foi claro em discordar da intenção do PAN de retirar à Casa Pia (proprietária do edifício da primeira praça do País) o direito de realizar espectáculos tauromáquicos, mas também admitiu, à cabeça do discurso, ser um anti-taurino, só não quer ser dos que chamam bárbaros a quem vai aos touros. Que foi precisamente o conteúdo de todos os discursos desta tarde, em que a propaganda anti-taurina difundiu falsidades e falácias com o adjectivo bárbaro bastante usado. Ouvi mentiras espectaculares, ditas com a convicção exacta para atingir os ignorantes no coração.
Uma delas foi a de terem havido espectáculos no Campo Pequeno com várias crianças a irem para o hospital durante actuações ante touros, nos anos de 2011 e 2012, como referiu um munícipe da plataforma Basta. Ou que os cavalos também sofriam horrores, pois para não relincharem tinham as bocas apertadas com serrilhas.
Estou a citar de cor uma deputada social democrata…, que acrescentava que as barrigas dos cavalos era furadas com pontas afiadas para os obrigar a ir contra o touro. Claro que ainda há quem tenha o mínimo de coragem para defender a Festa Brava, mas não depositem muita esperança que o esforço que fazem é limitado à minoria que os elege e que em nada reflecte a quantidade de aficionados que existe em Portugal. Vamos ficar sem corridas de touros mais tarde ou mais cedo e a impressão que tenho é de que estamos chateados com isso, mas também conformados. A primeira coisa a fazer para ir contra esta maré lenta, é tão simples como votar exclusivamente em partidos que defendam os touros. Não é votar em partidos que não estão contra, é em partidos que estejam explicitamente a favor!
Silvia Del Quema
