Dia de Portugal. Dia de Camões: «Atrever-se é valor e não loucura» escreveu o maior poeta.
Nesta tarde os mais jovens cavaleiros tiveram mesmo o «valor do atrevimento» e viu-se vontade, em cada um, de fazer mais e melhor.
Muita gente aproveitou para celebrar o dia de ser português a desfrutar da arte que é bastião da nossa portugalidade e a cinquentenária Celestino Graça esteve engalanada com uma bonita moldura humana.
A corrida dos Murteira Grave levou a Santarém soberba apresentação. Realmente, a divisa do ilustre Dr. Joaquim Grave prima nesta categoria.
Quanto ao comportamento, o curro foi desigual. Em geral pode dizer-se que embora os toiros tenham servido bem, faltou transmissão para que a corrida fosse redonda.
Quanto aos cavaleiros, houve «atrevimento» e ganas de chegar ao triunfo, Manuel Lupi na sua reaparição tanto como Duarte Pinto tiveram “os momentos” da tarde. O primeiro levou justamente para casa o troféu de melhor lide que se disputava, e, o segundo, igual reconhecimento do público.
Depois das cortesias à antiga portuguesa António Telles abriu função. Teve por diante um oponente de imponente trapio. O toiro veio de mais a menos, até ao segundo curto foi voluntarioso e acedeu às sortes frontais do maestro da Torrinha. Dali pareceu rachar-se um pouco e exigiu terrenos mais e curtos. Cumpriu com uma boa lide.
Moura Caetano teve azar com o segundo oponente da tarde. O cavaleiro avaliou-o como cego e o seu pai, Paulo Caetano, propôs-se a dizê-lo ao director de corrida. Nem o delegado acedeu aos intentos do cavaleiro, nem o público entendeu a tempo que o ginete iria abreviar de tal forma a lide. Passou discreto pela Celestino Graça e não encontrou solução para o manso de Murteira Grave.
As qualidades do terceiro aliadas ao enorme sítio e inspiração com que se apresentou Manuel Lupi deram lugar à lide da tarde. De facto, o hastado, que o cavaleiro esperou à porta gaiola, foi crescendo com a função e entre justos quarteios e suaves reuniões, completou-se um conjunto que agradou à bancada.
João Telles Jr. foi também esperar o seu oponente à porta dos sustos levando-o em boa brega. Vinha a lide num grande plano e muito boa nota até ao quarto curto, variando terrenos e aproveitando a classe do oponente, para depois falhar dois ferros e terminar novamente em plano ortodoxo. Recusou dignamente a volta até que insistentemente o chamassem.
Nem todos os ferros ficaram “en su sitio” mas a verdade das sortes a escolha dos terrenos e a inspiração de Duarte Pinto foram proporcionais às qualidades do quinto toiro de Murteira Grave. Bravo e de soberba nobreza, este oponente foi aplaudido pelo próprio ginete que não se eximiu a chamar o ganadero à volta.
Por fim Tomás Pinto esteve em plano discreto. Ao primeiro curto, que cravou ao sesgo, deixou tocar a garupa. Se o segundo foi de excelente nota, nos seguintes andou desentendido com as montadas e acabou por não encontrar sítio.
As pegas estavam exclusivamente a cargo dos Amadores de Santarém, que tiveram na tarde da “sua casa” uma muito boa passagem.
João Grave pegou à primeira tentativa. O segundo toiro foi pegado ao segundo intento por Rúben Giovety, que dobrou Hugo Santana. António Grave de Jesus à primeira. David Inácio ao primeiro intento. António Imaginário à segunda tentativa e António Pombeiro à primeira.
Sara Teles
