Sempre achei que se dedicavam dias, porque há sempre dias dedicados aos desvalidos deste mundo, das crianças aos seniores, às árvores e às mulheres, aos coxos, aos que compram amizades, aos pais, e á radio. Ou apenas aos conceitos que nos “engolem” e que temos dificuldade em abarcar como a paz, a magia e o riso, por isso o melhor é dar-lhe um dia à consideração. E a tauromaquia é um bocado isto tudo, e mais ainda! Portanto, se calhar agora comecei a gostar dos “Dias de…”
E assim foi, o Dia da Tauromaquia, sublimemente organizado, digam o que disserem (lembramo-nos sempre dos azedos, é inevitável), com uma multidão de assistência que nos enche o peito de tanto orgulho e felicidade.
Um dia corrido de actividades incessantes, a meu ver, vale o que vale, mas se calhar com informação a mais em pouco tempo útil. Mas como não querer aproveitar para mostrar tanta coisa deste nosso mundo a quem quisesse ver, aprender, absorver tudo?
Foi em cheio, cheio de amizades e convívio. Carregado de ganas, instinto e candura. Que é isto tudo de sermos humanos. Fazer dos amigos família e aprender a viver! Se é que alguma vez se ensina ou se aprende.
Já no Festival, são coisas muitos bonitas que acontecem neste mundo quando vários talentos se juntam: a pinta e poesia dos cavaleiros, um amor de sempre com o toureio a pé, a valentia dos forcados! Tudo em perfeitos aqui, até a força e espontaneidade dos meus “paisanos”, Barranquenhos claro, que fizeram questão de se fazer ver e mostrar o seu apoio com um cartaz!
Na semana passada realizou-se o “bombo”, proposto pelo empresário Simón Casas, no qual se sortearam toureiros e ganaderias.
Alguém disse “quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem”.
O velho mistério repete-se, os mais bem-sucedidos infringem as regras no trabalho e na vida. Os rebeldes… vemo-los como fonte de conflitos, como gente que gosta de contrariar. Na realidade, estes mudam o mundo para melhor com a sua perspetiva não-convencional. Em vez de se agarrarem ao que é seguro e conhecido, os rebeldes desafiam o status quo. São mestres da inovação e da reinvenção, e têm muito a ensinar, a quem quiser aprender.
E se aprendêssemos alguma coisa com isto? Sempre me ensinaram que os melhores imitam-se sempre!
Era tão bom que existissem cada vez menos bolas-baixas e arrumadores de arquivo…
Pela primeira vez, nos 72 anos de história de Feria de San Isidro, emparelhar grandes figuras de forma voluntária com grandes ganaderias.
Se calhar el bombo deveria ter sido com por exemplo 30 ganaderias e 90 toureiros para ser um sorteio mais transparente e justo para todos.
Sobre os anti-taurinos não se entende como defendem os animais e nos querem matar a nós, quanto aos políticos, ahhhhh os políticos, sabemos que os há taurinos, mas tirando nem meia dúzia, não querem dar a cara não vá ser o caso de perderem um “votozinho”, tipo aqueles que não apareceram no Dia da Tauromaquia.
Por falar em antis, foi nesse mesmo Dia que me chegou aos ouvidos um assunto muito mas muito sério, que está na calha na Assembleia, a proposta para ser aprovado o uso de velcro??? Só há que derrotá-la!
Alguns factos a considerar, o touro não é um animal racional, portanto não sofre como um ser humano, deixem-se de comparações de treta. A inteligência e destreza do toureiro, aliadas ao cansaço decorrente da faena, é que fazem uma lide na íntegra!
Com isto a acontecer, até os toureiros não vão querer tourear, pois o animal está “vivo”, nada cansado (a desproporção de forças 500kgs vs 70kgs). Imaginem o perigo que seria, forcados a pegar um animal que está quase em estado puro. Isto é de loucos! E nada saudável! E poderia continuar, mas não me apetece.. e é por este “não me apetece” ser comum a muitos de nós, o “não estou para explicar coisas a quem nunca vai entender”, que chegaram até aqui!
Sou só eu que entro em pânico, que fico com mini ataques cardíacos e quase a ter um colapso? Esta gente está muito organizada, e cada vez tem mais força… E nós? Mas que raio!!! Vamos assistir de bancada e encolher os ombros? E é por isto mesmo, por encolhermos sempre os ombros que eles estão onde estão, a tomar decisões por nós!
Vamos ser os bobos da festa???
Não se deve sequer admitir esta hipótese, seria um primeiro passo para acabar com as corridas! E é nisto que devemos ser duros, inflexíveis, e mais organizados que nunca! Senão ainda acabamos num estado como se tivéssemos caído em nós, tomado consciência do passo irreversível que tinha acabado de acontecer. E não fica nada bem, e todos sabemos que umas vezes perde-se, ganham-se outras, mas aqui não! Só temos mesmo a perder e tanto tanto… que nunca mais seremos felizes!

