Foi com uma meia casa forte que o Campo Pequeno celebrou o regresso dos emigrantes à terra e às suas tradições, tais como a tauromaquia. O cartel desta nocturna era encabeçado pela figura de Vitor Ribeiro, pela revelação que tem sido o jovem Jacobo Botero e pelo representante mais novo da dinastia Moura, Miguel Moura. Contudo, quem tinha a apresentação com peso de estrelas eram os touros, de Guiomar Cortes Moura, que rondavam todos os 600kg para cima, excepto um que “só” pesava mais de 500… A pegar estes imponentes touros estiveram os grupos de Alcochete e das Caldas da Rainha.
Vitor Ribeiro fez jus à sua estatura de figura, mas o seu primeiro touro era pesado e parado, não ajudando a criar uma lide do nível a que o cavaleiro nos habituou, tendo ocorrido alguns toques no cavalo que deixaram muito a desejar. Porém, no segundo touro que lidou na noite de 6 de Agosto conseguiu transmitir à praça da capital e do toureio a cavalo, aquilo que é o seu toureio, com um oponente de 615kg mas que permitiu bons curtos e cites com elegância típicas da categoria de Vitor Ribeiro numa lide uniforme.
Jacobo Botero entrou no seu habitual entusiasmo e depressa contagiou os tendidos, teve correcto nos compridos perante o seu primeiro touro, com uns assustadores 624kg, e nos curtos conseguiu uma lide regular na cravagem. Já no outro touro que lhe coube em sorte, contou com 648kg de touro, numa lide onde se destacaram os violinos com ferro de palmo a fechar a lide.
Miguel Moura está a amadurecer o crivo que pretende dar ao seu toureio, e tem tudo para se concentrar e vir a ser um cavaleiro tauromáquicos muito digno da dinastia que representa em praça. Na primeira lide defrontou o touro mais leve da noite, com 524kg, esteve regular nos compridos e conseguiu o melhor oponente da noite, não desperdiçando esse factor durante os curtos, rematando bem as sortes e tendo cites bem estruturados para a sua idade taurina, fechou com dois ferros de palmo que conquistaram os tendidos. Com o outro touro da noite, não houve tanta sorte pois foi dos mais desencastados da corrida mas não ficou a noite do emigrante fechada num mau tom, pois o jovem de Monforte conseguiu resolver pelo melhor a lide.
Para as pegas foi uma noite dura, sobretudo com o primeiro touro da noite, Alcochete debateu-se com muitas dificuldades e três forcados foram para a enfermaria nas seis tentativas de se fecharem com um touro que embora não fosse demasiado complicado, era certamente muito violente no embate, quem consumou a pega após cinco tentativas goradas foi Diogo Amaro.
O segundo touro foi pegado pelo grupo das Caldas, indo à cara António Galeano, que não teve ajudas suficientes para ficar na cara nem na primeira nem na segunda tentativas, tendo sido à terceira a pega.
A terceira pega da noite foi de César Nunes, por Alcochete, que teve um óptimo desempenho à primeira tentativa.
O grupo das Caldas voltou a praça com António Gonçalves da Cunha, que pegou ao segundo intento após uma aparatosa cambalhota na primeira tentativa em que foi projecto pelo ar seguido de cambalhota também do touro!
Marcelo Loya foi o forcado de Alcochete que saiu à cara do quinto touro da noite, tendo pegado à primeira com poucas ajudas, tendo dado duas voltas à praça.
Na última pega da noite, esteve pelo grupo das Caldas Francisco Mascarenhas que teve uma boa pega na primeira tentativa.
Ficou claro que os touros de muito peso nem sempre representam mais emoção, sendo apenas mais complicados de pegar, não significando lides melhores pela importância do peso, contudo, o público da corrida do emigrante não se sentiu defraudado e foi uma noite taurina agradável.
Silvia el Quema
