Como já vem sendo tradição, a despedida da temporada 2015 teve lugar na castiça Arena d’Évora. Numa tarde nublada, mas mesmo assim não afastou o público das bancadas que acabou por preencher cerca de três quartos de casa. De salientar a generosidade e solidariedade dos nossos aficionados através da doação de bens que revertiam a favor da SolSal-Solidariedade Salesiana.
Tudo a postos para uma agradável tarde de toiros onde já se fazia esperar pelas cortesias.
A abrir praça, António Telles frente a um Passanha de 530 kg de boa apresentação mas de comportamento um pouco reservado e andarilho. Telles cravou dois compridos com a cadência que já lhe é conhecida. Com uma lide coerente, a cravagem dos curtos seguiu com boas notas do seu toureio clássico característico, com um último ferro citado a meia praça rematando assim a primeira lide da tarde.
A Rouxinol coube o toiro mais leve da corrida (490 kg) que revelou de cedo algumas qualidades na investida. Colocando o seu oponente em terrenos médios, cravou-lhe três compridos de bom apontamento. Ainda antes do primeiro curto foi-lhe atribuída música, o que se fez prever uma excelente atuação. A cravagem do primeiro ferro não deixou margem para dúvidas de que o cavaleiro de Pegões vinha com vontade de triunfar. Ladeando o toiro à garupa e deixando-o nos médios, cravando com emoção e rematando com alegria, Rouxinol conseguiu, frente a um toiro franco e fincado no cavalo, arrancar aplausos das bancadas com uma lide vibrante com excelentes nota de toureio. Para rematar a lide cravou um par de bandarilhas irrepreensível, elevando a fasquia e dando por encerrada mais uma temporada de sucesso.
Para fechar a primeira parte, Vítor Ribeiro com um brinde caloroso aos amigos Flávio Miranda e Anabela reconhecendo todo o apoio prestado. Em sorte coube a Ribeiro o toiro mais pesado da tarde, com 560 kg que se adiantava ligeiramente dificultando a cravagem dos compridos, chegando a levar um toque na montada. No entanto, numa lide que veio de “menos a mais” o toiro revelou capacidades notórias de nobreza que o cavaleiro de Setúbal não conseguiu absorver. Com o “Rio Frio” terminou a lide cravando um palmito com bom remate mas ainda assim deixando a sensação de que mais podia ser feito.
A abrir a segunda parte da corrida, Ana Batista recebeu a curto e com garra o Passanha de 530 kg. Pela frente a cavaleira de Salvaterra tinha um toiro que, tal como os seus antecessores pediam contas e a cavaleira soube marcar a sua posição. Bregou, cravou e rematou com brio e garra que tem vindo a mostrar nesta última temporada. Ferros de boas notas e de grande emoção que a cavaleira voltou a trazer à arena depois do sucesso alcançado no passado mês no Campo Pequeno encerrando assim a temporada com um balanço positivo.
As duas últimas lides da noite, fizeram-se adivinhar face à pouca rodagem nesta temporada e porém, talvez devido a alguma falta de experiência que se fez notar.
Tomás Pinto frente ao nº 48 de 525kg esteve conciso na ferragem comprida. Frente a um toiro que não apresentava grandes dificuldades Tomás cumpriu a cravagem dos curtos numa lide algo agitada. Já no final da lide depois da cravagem do ferro Tomás sofre um ligeiro toque que levou ao desequilíbrio da sua montada, derrubando o jovem, sem consequências graves, voltou a montar e cravou ainda um último curto.
A fechar, o praticante Rui Guerra acusando alguma pressão e falta de rodagem, protagonizou um momento de grande aflição quando ainda se preparava para receber o seu oponente de 530kg, que quase o atirou para dentro da trincheira. Sem grande aparato Guerra cumpriu a cravagem comprida e fica em boa nota a cravagem do primeiro ferro curto que não se fez durar pela restante lide, algo inconsistente, acusando assim a inexperiência e talvez a falta de rodagem dos cavalos para conseguir vingar nos terrenos do toiro.
A cabo das pegas estavam dois grupos de forcados com provas dadas do seu valor. Os forcados amadores de Évora e os amadores de São Manços que assinalaram este ano 50 anos de existência.
Pelos amadores de Évora, para a cara do primeiro da tarde o forcado João Madeira ao primeiro intento sem grande dificuldade, na terceira pega João Pedro Oliveira (Guga) mostra-nos o significado de citar, mandar e templar conseguindo reunir-se bem com o toiro, sem grande dificuldade. De destaque também a pega ao quinto toiro por António Alfacinha a mostrar técnica e a fechar-se na cara do toiro com os ajudas a entrarem no tempo certo. Os amadores de Évora encerraram assim a temporada consumando todas as pegas ao primeiro intento.
Do outro lado, pelos amadores de São Manços, Jorge Valadas a fechar-se à córnea na primeira tentativa com boas ajudas. Já na quarta pega, Manuel Vieira esteve irrepreensível na cara do toiro aguentado valentes derrotes mas acabou por não ser consumada, devido à falta das ajudas que tardaram. A pega foi assim consumada à terceira tentativa. Na sexta e última da noite foi para a cara Nuno Pitéu, que brindou a Gonçalo Louro (que se despedia das arenas, não sem antes nos presentear com mais uma boa primeira ajuda), numa pega de registo onde o forcado e o grupo estiveram valentes.
Denise Coelho
