A praça de Montemor-O-Novo esteve cheia de ambiente e quase praça cheia, assistiram-se a pegas de grande nível, pelos grupos de Santarém e o grupo da casa, estando em disputa o antigo e prestigiado Troféu Barra d’Ouro para pegas a difíceis Palha. O cartel compunha-se com António Ribeiro Telles, Luís Rouxinol e Filipe Gonçalves, que tiveram boas prestações, apesar de a ribalta ser dos forcados.
No ano da celebração dos 80 anos do grupo, não podia te um sabor melhor levar o troféu da tarde de touros montemorense. À cara por Montemor foram João da Câmara, que se fechou com muita vontade na cara de um touro com muita pata, impedindo a eficácia inicial dos ajudas; Francisco Borges, que desenhou de improviso uma pega muito aclamada, aproveitando a saída rápida do seu oponente, aguentou sem dar um passo em frente até ao limite e recuou não mais que dois ou três passos ficando bem encaixado na cara, consumando assim, também, à primeira tentativa; Francisco Barreto fez a última pega da tarde, também ao primeiro intento e a aguentar muito bem um touro que estava com muita força.
Santarém não esteve nada mal nas suas pegas, sendo por isso renhida a candidatura ao troféu em disputa. João Grave, cabo do grupo efectuou a primeira pega do dia, e do touro mais difícil quer de pegar quer de lidar, conseguiu receber derrotes tão fortes que os ajudas não conseguiram entrar a tempo de o apoiar a aguentar, pelo que teve de se fechar apenas ao segundo intento. Francisco Graciosa, fez a segunda pega do grupo ficando consumada à primeira; Lourenço Ribeiro protagonizou a última e melhor pega do seu grupo.
O júri deste troféu promovido pela Campicarn, foi excelentemente composto pelos cabos dos grupos de Lisboa, Évora, Coruche, Barrete Verde de Alcochete, Amadores de Alcochete, Aposento da Moita e Caldas da Rainha.
António Ribeiro Telles lidou o primeiro e mais difícil Palha da tarde, com momentos de poder, mas que não tiveram música, contudo, no seu segundo touro, chegou com ganas de mostrar a sua raça e assim o fez, com riscos e com cravagem afincada.
Luís Rouxinol esteve muito homogéneo nas duas lides, com ferros de grande nível e bonitos adornos na sua brega. O seu último par de bandarilhas foi lindo de se ver, bem como foi de grande nível o palmito cravado de seguida.
Filipe Gonçalves está num momento em que se nota o apuramento do seu estilo frente aos touros, e em Montemor foi mais um momento de vermos isso mesmo. Apesar do primeiro touro ir de mais a menos cedo, teve bem com ele e ligou-se ao público. Com o segundo, teve muita sorte e aproveitou-a, fechando com um par e um palmito de bom nível.
Sílvia Del Quema
