A novilhada que decorreu a 28 de Abril no Campo Pequeno, sagrou-se num bom momento para apreciar uma amostra do futuro do toureio em Portugal.
A cavalo Soraia Costa esteve fortíssima e a pé destacou-se João d’Alva. Mas todos tiveram aspectos muito apreciáveis.
António Prates abriu praça, com genica e um toureio ponderado de muito bom tom, lidou um oponente de ferro António Silva, que permitiu a lide de qualidade, interessante para quem está a dar provas do que vale. A pega esteve a cargo do grupo da Moita, indo à cara Fábio Silva, numa pega vistosa em que os ajudas só conseguiram chegar ao companheiro quase nas tábuas.
Ricardo Cravidão, que lidou um Vale do Sorraia bem apresentado, deixou uma excelente memória na primeira praça do País, sobretudo num ferro curto que cravou de poder a poder. Para pegar este touro, pela Tertúlia Tauromáquica do Montijo, foi à cara Luís Carrilho, que consumou à terceira.
Soraia Costa apresentou-nos um toureio com maturidade e idiossincracia, lidando um bom Romão Tenório. Ponderada a receber, citando com elegância, cravando bem e adornando suficientemente. O seu toiro foi pegado por Pedro Belbut do grupo de Arruda dos Vinhos, à primeira tentativa.
Sérgio Nunes foi o primeiro espada da noite, tendo pela frente um prestável São Torcato, mas que na muleta levantou muitos obstáculos ao jovem novilheiro que não pode mostrar o nível que poderia.
João d’Alva teve pela frente um Murteira Grave que serviu bem, tendo sido desde o capote que o jovem da escola de Toureio d Vila Franca de Xira se entregou e ligou na arte, recebendo à Porta Gaiola, com um afarolado vistoso que repetiu pouco depois, junto a tábuas. Muito à vontade na muleta, deixou a praça entusiasmada.
Luís Silva, teve um extraordinário novilho de Paulo Caetano, que foi chamado a dar volta à arena no final da lide. Lide essa que se iniciou com uma franca prestação no capote, com gaoneras de sublinhar, rematando bem as suas sortes. Muito elegante e arrojado.
Rui Jardim lidou o último novilho da nocturna lisboeta, sendo este de Manuel Vinhas. Conseguiu manter-se ligado com o touro e tendidos nos três tércios, mas não foi um novilho fácil que permitisse uma lide com o ritmo que se desejaria, de qualquer modo o jovem não se acanhou e esteve por cima do touro.
Sílvia Del Quema
