A ganadaria Dr. António Silva foi fundada pelo seu bisavô nos finais dos anos 30, conte-nos um pouco da história desta ganadaria?
-No final da década de 30 o meu bisavô comprou a Pinto Barreiros, um lote de vacas e um semental de nome Bailador, que padreou até à idade de 14 anos. Com esta base e utilizando os seus conhecimentos de genética, o meu bisavô dedicou-se a selecionar animais de grande bravura e nobreza.
A estreia da ganadaria teve lugar no Campo Pequeno, no dia 25 de Junho de 1944.
Em pouco tempo os êxitos foram-se sucedendo, tendo-se tornado numa das ganadarias mais procuradas pelas principais figuras do toureio, com maior expressão no toureio a pé.
Os momentos mais altos ocorreram em 1962, no Campo Pequeno, quando vendeu os seis toiros lidados para reprodutores de algumas das mais importantes ganadarias portuguesas da época, e em Vila Franca de Xira, onde vendeu, com a mesma finalidade, cinco dos toiros lidados.
Com a passagem do testemunho para o meu avô nos anos 90 foram adquiridas vacas e sementais da ganadaria espanhola La Cardenilla, de procedência Juan Pedro Domecq e Conde de La Corte, sendo esta a atual linha.
Atualmente a ganadaria pasta na Herdade das Sesmarias fale-nos das suas condições?
– As condições desta herdade para a criação de gado são realmente muito boas pois para além da qualidade e abundância de pasto que produz foram realizados investimentos em charcas, parques e num pivot que a tornaram ideal para esta finalidade.
A vacada atual é composta por quantas vacas? 
– Actualmente a vacada é composta por 60 vacas.
Que sementais padreiam neste momento a ganadaria?
– O Marcador, filho de uma vaca e de um semental La Cardenilla, um filho deste e de uma vaca também de La Cardenilla, o Samaritano, e um toiro com ferro de José Luís Vasconcellos e Souza D´Andrade, de nome Nobrezal, linha Conde de La Corte.
O ano de 2012 foi de muitas emoções para si, uma muito negativa, outras muito positivas. O desaparecimento do seu avô fez de si, provavelmente, a ganadeira mais jovem de Portugal. Como convive com essa responsabilidade?
– A morte do meu avô foi sem dúvida um momento muito doloroso para mim. Com ele passei muitos dias vendo vacas, toiros e assistindo às tentas, o que fez despertar em mim o gosto pela festa brava e pela criação de toiros bravos.
Como habitual representante da ganadaria nas nossas corridas sinto grande responsabilidade na apresentação dos toiros, pretendendo que cumpram na lide e agradem ao público.
A criação de gado bravo exige grande dedicação e tempo, o que não é compatível com os meus estudos, contudo faço questão de estar presente em todas as nossas tentas e corridas. O nosso maioral Janica é sem duvida quem de uma forma
muito dedicada cuida diariamente dos animais.
O aspecto positivo foi o sucesso absoluto dos três curros lidados em Lisboa, Setúbal e Foz do Sizandro, culminando com o triunfo no concurso de ganadarias da Nazaré. Fale-nos como viu cada uma das corridas?
– O nosso respeito pelo público que vai ver as nossas corridas é muito grande pelo que, como referi, a apresentação dos nossos animais é sempre muito cuidada.
Para as três corridas que refere enviámos animais em relação aos quais a crítica foi unânime em referir como bem apresentados.
Quanto ao desempenho em praça penso que em qualquer uma destas os animais cumpriram em bom plano. Gostei muito do curro do Campo Pequeno, pelo comportamento sério e bravura que os toiros evidenciaram.
De Setúbal, corrida que foi televisionada, e que muito me agradou, trouxemos para a Herdade da Torre do Ferrador, onde pasta a vacada, o Perdigoto, toureado por Luís Rouxinol.
Na Foz do Sizandro, o curro saiu a cumprir, proporcionando lides muito agradáveis aos intervenientes que o publico muito apreciou.
Para o ano 2013 quantos curros têm para lidar?
– Para o próximo ano temos três curros, um de quatro anos e dois de três, os quais já estão colocados.
A ganadaria Dr. António Silva tem sido apoiada desde há alguns anos pelo popular Zé André, como se
relaciona com ele?
– O senhor José André é, como todos sabemos, uma pessoa extremamente educada e cordial por quem temos grande consideração e amizade pois quando o meu avô, devido á sua doença, ficou incapacitado de gerir a ganadaria foi ele que prontamente aceitou apoiar-nos nesta complicada tarefa. O seu contributo foi determinante para o nível que a ganadaria atingiu em 2012, pelo que muito gostaríamos de continuar a contar com a sua colaboração.
Como define os seus toiros? Em termos morfológicos, tipo: toiros difíceis ou fácies de tourear, mais direcionados para o toureio a cavalo ou a pé? Pensa também colocar algum curro para tourear a pé?
– Os nossos toiros são animais de grande porte e com “cara”, pelo que habitualmente os lidamos aos três anos.
São toiros com casta que transmitem emoção, quando lidados com empenho.
Quando selecionamos os nossos animais não temos em mente o tipo de toureio a que eles irão estar sujeitos.
Infelizmente no nosso país o toureio a pé não está num bom plano, no entanto muito gostaríamos que esta situação fosse alterada pois a nossa ganadaria teve dos momentos mais altos na lide de toiros a pé, como nas tardes do Campo Pequeno e Vila Franca de Xira, anteriormente referidas.
As tentas são muito importantes para apurar a bravura das ganadarias. Com que sensações ficou da tenta do passado dia 18 de Dezembro?
– A tenta do dia 18, foi mais uma em que os animais evidenciaram, na sua maioria, as características que pretendemos.
A seleção é neste momento extremamente exigente pois não pretendemos aumentar o efetivo da vacada, o que por vezes nos deixa tristes por termos que refugar animais com elevado nível de comportamento.
Sónia Conceição
